- Dez cubanos partiram de Cayo Maratón, na Flórida, numa lancha de pesca de sete metros, rumo a Villa Clara, e foram interceptados pela guarda costeira cubana; houve confronto a tiros.
- Quatro ocupantes foram mortos e os demais ficaram feridos; entre os feridos estão Leordan Enrique Cruz Gómez, Conrado Galindo Sariol, José Manuel Rodríguez Castelló, Cristian Ernesto Acosta Guevara, Roberto Álvarez Ávila e Amijail Sánchez González, identificado como um dos organizadores.
- O grupo Autodefensas del Pueblo, liderado por Michel Naranjo Riverón, conhecido como Kiki Naranjo, diz que a missão tinha objetivos patrióticos e envolve ações clandestinas contra o regime cubano.
- O governo cubano qualificou o episódio como infiltração terrorista de cubanos residentes na Flórida; mirou-se, na televisão, o armamento encontrado a bordo e as insígias da ADP e do Movimiento 30 de noviembre.
- O caso gerou reações no exterior: autoridades dos Estados Unidos pediram explicações ao governo cubano; autoridades consultadas destacaram que grupos exilados com história de violência são prova de uma oposição que já teve atuação armada no passado e hoje tem visões diferentes sobre como exercer pressão sobre Cuba.
Os Autodefensas del Pueblo (ADP), grupo exilado que defende a insurgência, teve uma operação de alto risco na semana passada envolvendo uma lancha com cubanos que saíram de Florida rumo a Cuba. A ação terminou em confronto com a guarda costeira cubana, resultando em mortes e ferimentos, segundo as autoridades locais. A operação foi descrita pela organização como uma missão patriótica, enquanto o governo cubano a classificou como infiltração terrorista.
De acordo com o governo de Havana, os dez ocupantes da embarcação partiram no dia 25 de fevereiro da área de Cayo Maratón em direção a Villa Clara, no centro do país. Ao serem interceptados, houve troca de tiros e o comandante da guarda costeira ficou ferido. O grupo foi neutralizado durante o tiroteio, com quatro mortos e o restante ferido. Armas e suprimentos, além de insígnias da ADP, teriam sido apreendidos.
A versão oficial cubana aponta que o objetivo era atingir estruturas na ilha, com outros elementos ligados ao Movimento 30 de novembro também identificados nos itens apreendidos. Entre os nomes ligados ao grupo, figura Michel Naranjo Riverón, conhecido como Kiki Naranjo, fundador da ADP, que vive nos EUA e afirma que a ação faz parte de uma luta pela liberdade de Cuba.
Naranjo sustenta que os integrantes eram patriotas dispostos a sacrificar pela pátria. O grupo foi formado em 2022 por Naranjo e por outra figura, que também participou da operação, segundo registros públicos. Nas redes sociais, a ADP divulga grafites, vídeos e apelos a contribuições, apresentando-se como apoio aos cubanos na ilha.
Especialistas ouvidos observam que grupos exilados que promovem ações armadas mantêm pouca visibilidade atual, sendo marcados por uma visão histórica de confrontação. Eles destacam que muitos opositores recentes tentam influenciar Cuba por meio de pressão externa, em vez de ações dentro da ilha.
O Departamento de Justiça dos EUA não confirmou se investiga o caso. Reações em Washington pediram esclarecimentos ao governo cubano e sinalizaram a necessidade de apurar responsabilidades. Parlamentares republicanos destacaram a necessidade de transparência, enquanto autoridades no varejo jurídico estadual analisavam o caso.
Professores de ciência política comentam que o exílio cubano no sul da Flórida tem cada vez mais adotado visões moderadas e de engajamento político externo. Avaliam que, com o tempo, a influência sobre Cuba pode depender de políticas norte-americanas, o que marginaliza grupos que defendem ações armadas.
Outros históricos de grupos armados do exílio, como Alpha 66 e Omega 7, foram citados para contextualizar o tema. A imprensa estadual cubana exibiu imagens de armas apreendidas a bordo, reforçando a narrativa de infiltração. O episódio reacende o debate sobre a presença de movimentos armados no exílio e seu impacto na relação entre EUA e Cuba.
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