- O chanceler alemão Friedrich Merz adotou um tom realista, afirmando que o Irã representa ameaça regional e que o direito internacional terá efeito limitado diante dos eventos atuais.
- Merz disse que a Alemanha apoia os objetivos dos Estados Unidos e de Israel em conter o armamento nuclear e balístico do Irã, sem condenar de forma veemente as ações militares.
- Em paralelo, Macron anunciou uma política de dissuasão avançada, com o envio temporário de armas nucleares a outros países da União Europeia, sinalizando um possível guarda-nuclear europeu.
- Merz pretende ampliar fortemente o gasto militar da Alemanha, com cerca de 580 bilhões de dólares e até 3,5% do PIB até 2030, ainda considerando metas futuras de até 5%.
- Pesquisas indicam maioria favorável a mais defesa, mas ainda há resistência à mobilização em caso de ataque; o governo trabalha em recrutamento e avalia reintrodução do serviço militar obrigatório.
Friedrich Merz, chanceler alemão, adotou uma postura pragmática após a ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã. Em comunicado institucional, ele enfatizou a violência do regime iraniano e defendeu a contenção de seu armamento nuclear e balístico, alinhado aos objetivos de Washington e de Tel Aviv.
Merz não condenou a campanha militar de forma aberta nem citou violações do direito internacional. Em vez disso, apontou que, no cenário atual, os mecanismos legais internacionais teriam eficácia limitada e que a Europa deve considerar seus próprios interesses com maior autonomia.
A análise marca uma ruptura com o legado de Angela Merkel, que privilegiou o primado do direito internacional e a segurança compartilhada pela política de defesa de menores aportes nacionais. A aproximação de Merz com a ideia de que a força pode ser necessária reflete um realinhamento estratégico.
O chanceler tem sinalizado conversas com líderes europeus sobre ampliar a atuação nuclear europeia. Em Paris, o presidente francês annunciou uma estratégia de dissuasão avançada que envolve a presença temporária de armas nucleares em território de outros países da União Europeia, em um movimento rumo a um guarda-chuva de defesa comum.
Além disso, Merz espalha a perspectiva de ampliar o gasto militar alemão para cerca de 3,5% do PIB até 2030, com propostas de financiar até 580 bilhões de euros. A meta de reforço envolve ampliar o parque industrial de defesa e elevar a capacidade de resposta da Bundeswehr.
Pesquisas de opinião indicam que a maioria dos alemães apoia o aumento de defesa, mas há resistência em aceitar o conflito direto. Economistas e historiadores destacam o desafio de equilibrar autonomia estratégica e cooperação europeia sem reacender tensões com aliados tradicionais.
No âmbito interno, ainda não está claro quanto tempo Merz conseguirá impor esse realismo político. A coalizão de governo enfrenta eleições estaduais e críticas sobre o ritmo de reformas, enquanto a oposição cresce e o discurso de autossuficiência militar ganha terreno entre analistas.
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