- EUA pedem avaliação da ajuda internacional ao Afeganistão, citando “disaster” humanitário e a intransigência dos talibãs, além da exclusão das mulheres de direitos básicos.
- Em reunião no Conselho de Segurança da ONU, o embaixador Mike Waltz ressaltou que a UNAMA tem o maior orçamento entre missões da ONU e que a utilidade da assistência deve ser cuidadosamente avaliada.
- Waltz destacou que, com as funcionárias femininas impedidas de entrar no escritório, a aprovação de recursos precisa considerar esse obstáculo à atuação da missão.
- A ONU afirmou que mais de 17 milhões de afegãos enfrentam insegurança alimentar, incluindo 4,7 milhões em níveis de fome emergencial, segundo o Programa Mundial de Alimentos.
- Georgette Gagnon, chefe interina da UNAMA, disse que a crise humanitária piorou com cortes de financiamento; há um apelo de 1,71 bilhão de dólares para 2026, com apenas 10% financiado até o momento.
O EUA afirmou nesta segunda-feira que a ajuda internacional ao Afeganistão precisa ser avaliada, em meio à “disparidade” entre o que descreve como desastre humanitário e a obstinação dos talibãs, que também mantêm mulheres sem direitos básicos. A observação ocorreu durante reunião do Conselho de Segurança da ONU.
O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, ressaltou que o orçamento da Missão das Nações Unidas de Assistência ao Afeganistão (UNAMA) é o maior entre as missões especiais da organização e está sujeito à renovação na próxima semana. Segundo ele, é preciso verificar a utilidade da assistência internacional diante da situação.
Ele citou ainda que, apesar do contexto, é necessário considerar cuidadosamente os recursos destinados à missão, especialmente porque a equipe feminina afegã não pode atuar em campo. A fala ocorreu enquanto a comunidade internacional debate a continuidade da presença humanitária.
Crise humanitária e financiamento da UNAMA
Segundo a ONU, mais de 17 milhões de afegãos—um terço da população—passam por shortages de alimentos, e 4,7 milhões enfrentam fome em nível de emergência, conforme o Programa Alimentar Mundial (PAM).
A liderança temporária da UNAMA informou que a crise se agrava com cortes de financiamento. O organismo planeja atender 17,5 milhões de pessoas em 2026, com um apelo de 1,71 bilhão de dólares, atualmente apenas 10% financiados.
Contexto regional e impactos econômicos
Georgette Gagnon, que dirige a UNAMA interinamente, destacou que o conflito com o Paquistão, há quase duas semanas, teve custos humanos e econômicos significativos. Também mencionou o efeito de tensões na fronteira iraniana, que contribui para o aumento dos preços de itens básicos.
Entre os sinais positivos, Gagnon apontou a decisão do Talibã de banir o cultivo da papoula, o que é visto como avanço em áreas de combate às drogas. Por outro lado, persiste a preocupação com direitos humanos e assistência humanitária, que exigem ações coordenadas para evitar novos episódios de instabilidade regional.
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