- O Departamento de Estado dos EUA rejeitou a oferta de ajuda de funcionários recontratados (banidos) para as evacuações no Oriente Médio, segundo o sindicato da instituição e e-mails vistos pela Foreign Policy.
- Cerca de 250 diplomatas foram demitidos via reduzida de quadro no ano passado, mas ainda estão na folha de pagamento e podem ser acionados para colaborar.
- Oficial do Departamento que integrou o grupo demitido e voluntariou-se para ajudar confirmou que continua na folha; outra fonte ligada ao movimento de contestação também afirmou o mesmo, em condição de anonimato.
- O porta-voz informou que o grupo de trabalho já está completo, com centenas de funcionários atuando e outros tantos ligando para americanos com opções de viagem; mais de 27 mil pessoas já receberam auxílio e houve mais de duas dúzias de voos fretados organizados.
- O governo informou que, desde o início dos conflitos com o Irã, mais de 40 mil americanos deixaram o Oriente Médio; ainda não está claro quantos permanecem na região.
O Departamento de Estado dos EUA recebeu ofertas de ex-funcionários em licença para ajudar nas evacuações relacionadas ao conflito com o Irã, mas recusou o apoio. Segundo a associação dos diplomatas e um e-mail obtido pela Foreign Policy, a oferta foi apresentada por funcionários do próprio órgão.
Cerca de 250 diplomatas foram demitidos no que foi considerado um corte de servidores (RIF) no ano passado. Mesmo sem desligamento oficial, permanecem na folha de pagamento e prontos para colaborar, segundo John Dinkelman, presidente da American Foreign Service Association.
Um diplomata que se enquadrou no RIF e se voluntariou para ajudar confirmou que continua remunerado, assim como outra autoridade próxima à mobilização da categoria. Ambos solicitaram anonimato por não terem autorização para falar com a imprensa.
Rejeição da ajuda de ex-funcionários
Dinkelman enviou mensagem a Michael Rigas, secretário adjunto de gestão e recursos do State Department, destacando o potencial de utilidade dos voluntários na proteção de cidadãos norte-americanos e no serviço ao público.
Segundo a associação, o grupo do RIF traz experiência consular, gestão de crises e atuação regional, acumulada em evacuações anteriores. Os ex-funcionários destacam que atuaram em plataformas de atendimento telefônico e já ajudaram a evacuar milhares de pessoas.
O Departamento de Estado informou, por meio de porta-voz, que a força-tarefa já conta com centenas de especialistas e que centenas de outras pessoas fazem contatos com americanos com opções de viagem. Em curto período, a força-tarefa auxiliou mais de 27 mil norte-americanos e organizou mais de duas dúzias de voos charter.
Em e-mails vistos pela publicação, a operação inicial foi de recusa à oferta de ajuda, seguida de orientação para que o funcionário escrevesse para um endereço específico ligado às reduções de quadro. O servidor voluntário afirmou que o canal costuma ter respostas lentas.
Um funcionário que pretendia atuar afirma estar apto a comparecer ao escritório de credenciamento ou a qualquer setor que precise de reforço para atuar de imediato.
Contexto do conflito e evacuação
Os EUA começaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, após acumulação militar no estreito de Omã e na região. Só após o início das operações o State Department emitiu alerta de segurança para viajantes, com recomendações de evacuação diante de interrupções de voos e fechamento de espaço aéreo.
Com voos amplamente cancelados, viajantes relataram dificuldades para retornar. O governo norte-americano disse ter iniciado operações com voos charter, confirmando mais de duas dezenas de voos concluídos até 10 de março.
Até a data, a assessoria de imprensa do Departamento de Estado informou que mais de 40 mil norte-americanos haviam retornado aos EUA a partir da região. Não fica claro quantos cidadãos permanecem no Oriente Médio, embora haja estimativa de centenas de milhares que visitam ou residem na área.
Críticos de administrações anteriores atribuem falhas à condução das evacuações. autoridades apontam falta de comunicação pública e de planejamento prévio para evacuações em grande escala, especialmente antes de ações militares.
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