- No passo Kapıköy, na província turca de Van, iranianos chegam após uma semana marcada por guerra, longas jornadas e cortes de comunicação.
- O fluxo entre Irã e Turquia segue constante, com viajantes tentando chegar a Van ou reconectar-se com familiares do outro lado da fronteira.
- As motivações vão desde bombas em cidades até perda de contato com parentes, além de questões de trabalho ou visitas a parentes doentes.
- Há menções de expectativas políticas no Irã, com some pessoas esperando mudanças e citando a possibilidade de Reza Pahlavi ganhar apoio em protestos futuros.
- Casos individuais incluem pessoas buscando vistos para familiares em outros países, retorno ao Irã e viagens a cidades como Istambul, Mashhad e Teerã.
O movimento de Irã para a Turquia se intensificou na fronteira de Kapıköy, no leste da Turquia, onde famílias e viajantes isolados atravessam o passo de montanha sob neve. A passagem ocorre em Van, em meio a uma semana marcada pela guerra, longas jornadas, quedas de sinal e uso de telefones emprestados.
Centenas de iranianos cruzaram nos últimos dias, buscando reestabelecer contato com parentes e buscar refúgio. As viagens ocorreram principalmente por terra após cancelamentos de voos, com muitos levando apenas bagagens pequenas e um telefone sem SIM local. A tensão aumenta à medida que o conflito regional se expande.
Diversos relatos indicam que as pessoas deixam o país por bombardeios em cidades, interrupção de contatos familiares ou perda de serviços. A cidade de Van é vista como próximo destino, a cerca de duas horas de viagem, onde muitos tentam retomar a comunicação com o exterior.
Entre os relatos, um homem de 61 anos que vive na Holanda descreveu o clima de incerteza no Irã, com parte da população aguardando sinais de mudança política. Ele mencionou a possibilidade de uma mobilização caso haja protestos significativos, citando a figura de Reza Pahlavi como potencial ponto de referência.
Outra viajante, com 45 anos, retornava de Istambul para o Irã após perder contato com familiares em Shiraz. A necessidade de estar perto dos entes queridos em meio ao risco impulsionou a decisão de retornar, mesmo diante de incertezas sobre a situação no Irã.
Um cidadão de 35 anos relatou ter fugido de Teerã pouco antes da eclosão do conflito, levando a família para fora do país. Ele descreveu o percurso pelo Irã até a fronteira como exaustivo, buscando auxílio para regularizar a situação de vistos para a esposa e os filhos no exterior.
Outro viajante, natural do Afeganistão, contou ter vindo de Mashad para encontros familiares, descrevendo o trajeto como longo, com parte da viagem em trem e carro. Em Mashad, a vida continuava em meio à comoção geral, com atividades comerciais em funcionamento.
Um morador egípcio que cruzou a fronteira sem SIM turco ou moeda local afirmou depender de contatos no Egito para seguir viagem, com planos de chegar a Cairo. Ele relatou interrupções no trabalho no Irã, onde atuava no setor de mármore e granito, intensificando a decisão de sair.
Entre as histórias, uma mulher mais velha explicou que deixou Teerã devido aos bombardeios e que, se a situação no Irã se estabilizar, pretende retornar. Ela viajava com destino a Istambul para ficar perto da filha estudando na cidade.
Duas jovens, irmãs, cruzaram para a Turquia com a mãe, buscando, no futuro, migração para Londres. Uma menina de 9 anos comentou que a situação no Irã não era favorável, mas expressou expectativa e alegria pela travessia.
Outra família, com um casal e uma filha de 6 anos, viajou rumo à costa sul da Turquia para encontrar a filha que vive na região, indicando o desejo de reunião familiar. Em geral, muitos refugiados preferem ao menos estar próximos de entes queridos, mesmo em meio ao risco.
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