- Japão avança com cautela na retomada da energia nuclear 15 anos após o acidente de Fukushima, com apenas parte dos 54 reatores operando novamente.
- Dos 30 reatores remanescentes, 15 tiveram reinício autorizado pela autoridade reguladora (NRA) e fornecem quase 9% da eletricidade do país; o último reinício ocorreu em Kashiwazaki-Kariwa, Niigata.
- O reinício enfrenta resistência da população local e críticas de especialistas, refletindo traumas e desconfiança sobre a gestão da Tepco (empresa estatal na prática), herdada do desastre de Fukushima.
- O governo planeja ampliar o papel da energia nuclear como parte da transição energética para 2040, buscando neutralidade de carbono até 2050 e combinação de renováveis, nuclear e fontes terminais.
- Além disso, há avanços na desativação de Fukushima Daiichi, com pesquisas tecnológicas, drones e um centro de testes de robôs em Namie, conforme a meta de encerramento em duas fases para 2041 e 2051.
A energia nuclear retorna ao roteiro energético do Japão, ainda sob forte cautela. Novas autorizações de reinício foram concedidas após anos de suspensão. A retomada ocorre 15 anos após o acidente de Fukushima e sob rígidos controles regulatórios.
Ao todo, eram 54 reatores no país antes do desastre de 2011. Hoje, apenas 15 estão em operação, fornecendo cerca de 9% da eletricidade nacional. 24 unidades já foram fechadas ou estão em descomissionamento definitivo.
O reinício mais recente ocorreu na usina Kashiwazaki-Kariwa, em Niigata. A planta havia recebido autorização da NRA em 2022, mas aguardou três anos para obter aprovação da população local e entrar em funcionamento.
A Tepco, controladora da Kashiwazaki-Kariwa e ex-proprietária da Fukushima Daiichi, lidera o retorno. O caso evidencia o escrutínio público sobre a confiabilidade da empresa e o histórico de irregularidades associado a Fukushima.
O governo japonês reforçou que a segurança é prioridade, adotando normas mais rígidas e fortalecendo a regulação nuclear. O objetivo é compatibilizar a continuidade do setor com metas de neutralidade de carbono até 2050.
Além da necessidade energética, o governo aponta demanda de IA, dados e semicondutores como novos motores de consumo de eletricidade. A meta é distribuir a matriz entre renováveis, nuclear e termelétricas até 2040.
Do ponto de vista técnico, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria aponta avanços, como uso de drones para inspeção e um campo de provas de robótica para Fukushima. Tais recursos ajudam no descomissionamento.
A agenda de Fukushima Daiichi prevê duas fases de encerramento, em 2041 e 2051. O destino final do terreno dependerá de consulta pública na região, após a desativação completa.
Desafios e críticas se mantêm. Especialistas questionam a viabilidade de ampliar o parque nuclear e a gestão de resíduos. Analistas lembram que o Japão precisa reduzir a dependência da energia nuclear gradualmente.
Para moradores da região, o retorno da energia nuclear carrega lembranças do trauma de 2011. Relatos de pessoas locais destacam continuo temor com a radiação, ainda que o país apure padrões de segurança.
Avanço regulatório e perspectivas
O retorno de Kashiwazaki-Kariwa é visto como marco técnico e político. Autoridades ressaltam que a retomar energia nuclear ocorre dentro de um marco de aceitação social mais exigente e de responsabilidade de reparação histórica.
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