- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Espanha não está cooperando com o uso compartilhado das bases de Rota e Morón na guerra contra o Irã.
- As declarações ocorreram na Casa Branca, antes de Trump seguir para atos em Kentucky e Ohio, reforçando que Espanha “não está cooperando em absoluto”.
- O governo espanhol, por meio do ministro de Exteriores, José Manuel Albares, manteve posição de que não houve mudança na política sobre a guerra, bombardeios e uso das bases; o presidente Pedro Sánchez afirmou “não à guerra”.
- A Casa Branca chegou a dizer que Espanha concordava em cooperar em algumas horas, o que Albares negou, ressaltando que qualquer operação precisa estar dentro do marco de um acordo bilateral.
- O senador Lindsey Graham sugeriu retirar bases americanas da Espanha, citando o Artigo Cinco da Organização do Tratado do Atlântico Norte; analistas comentam possíveis impactos comerciais, mas não há medidas definidas.
Donald Trump voltou a criticar a Espanha após o governo espanhol não autorizar o uso conjunto das bases de Rota e Morón na operação contra o Irã. O presidente americano mencionou a negativa durante a manhã desta quarta-feira, pouco antes de embarcar no helicóptero presidencial Marine One para viagens a Kentucky e Ohio. Segundo ele, Espanha não está cooperando.
Trump afirmou que a cooperação do governo espanhol tem sido inadequada. Em tom crítico, disse que as autoridades espanholas não colaboram no esforço dos Estados Unidos e de Israel na região. O chefe da Casa Branca elogiou, porém, o povo espanhol, separando a população das lideranças.
Essa é a terceira vez em poucos dias que o presidente trata a Espanha de forma desfavorável, após o anúncio de que o governo não cederia bases para uso conjunto. Anteriormente, Trump chamou o parceiro europeu de terrible e, em entrevista ao New York Post, classificou o país como loser.
A posição oficial dos Estados Unidos sobre as bases foi contestada por autoridades espanholas. A porta-voz da Casa Branca havia sugerido, dias atrás, avanço na cooperação, mas o ministro de Exteriores espanhol desmentiu o rascunho de flexibilização, reiterando que a política de uso das bases permanece inalterada.
Contato entre governos
A fala do presidente espanhol Pedro Sánchez, em discurso institucional na Moncloa, resumiu-se em quatro palavras: no a la guerra. O ministro Albares reforçou que o marco do acordo bilateral continua vigente e que qualquer operação deve respeitar o direito internacional. Não houve confirmação de mudanças no acordo de uso das bases.
Em resposta, a imprensa citou o acordo com a ONU como parâmetro para operações adicionais, destacando que o uso de bases espanholas não pode ocorrer fora desse framework. A posição do governo espanhol é de firme oposição a qualquer envolvimento direto na guerra contra o Irã.
Pressão política
Paralelamente, o senador Lindsey Graham afirmou em entrevista à Fox News que pretende pressionar Trump a expulsar as bases dos Estados Unidos na Espanha. Graham defendeu que, se necessário, as bases devem deixar o território espanhol para impedir o apoio a um regime considerado perigoso.
A tensão envolve também instrumentos de política externa, como o comércio. Entre as possibilidades discutidas estão medidas sobre produtos sensíveis, como a aceitância de aranceles, principalmente sobre itens de interesse espanhol. A comunidade internacional observa a escalada de retórica sem indicar desdobramentos imediatos.
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