- Na fronteira Irã-Turquia, um vendedor oferece um serviço que conecta iranianos no exterior com familiares no Irã usando dois telefones, um turco e outro iraniano, para contornar bloqueios de chamadas internacionais.
- Quem está fora liga para o número turco via WhatsApp e o vendedor disca para o Iraniano, mantendo os dois aparelhos conectados para facilitar a comunicação.
- O serviço é caro: transferências em dinheiro são cobradas e uma ligação de quatro a cinco minutos custa cerca de £28 (aproximadamente R$ 180).
- VPNs também são usadas para contornar censura, com 1 gigabyte de dados por VPN estimado em torno de £15 (cerca de R$ 130), valor alto em um país com salário mínimo baixo.
- Pacotes de acesso instáveis e altos custos dificultam manter contato, especialmente para famílias menos familiarizadas com tecnologia, conforme relatos de iranianos no exterior.
Em meio a apagões de internet e interrupções causadas pela guerra, iranianos recorreram a soluções de contorno para falar com parentes no Irã. Um morador da fronteira Irã-Turquia oferece um serviço que usa dois celulares conectados a redes distintas para facilitar ligações internacionais bloqueadas.
O método envolve um telefone ligado à rede turca e outro à iraniana. Clientes no exterior ligam para o telefone turco via WhatsApp, que repassa a chamada para o número iraniano, permitindo contato com familiares no Irã. O envio é feito de forma contínua, mesmo em ambiente de fronteira.
O serviço, apesar de caro, tem demanda. Taxas mostram que uma ligação de quatro a cinco minutos pode chegar a cerca de £28 (aprox. R$ 180). Dados de VPN, usados para contornar restrições, também variam bastante em custo e disponibilidade.
Entre os relatos coletados, Hamid, que vive no exterior, explica que as conexões são instáveis e que o uso de VPN pode resultar em perda de dados sem reembolso. Ele descreve o esforço de manter contato quando a internet retorna esporadicamente.
Negar, morando em Toronto, afirma que a família sentia ansiedade durante protestos no Irã e que, com o corte de internet, as ligações diretas passaram a avisar sobre o estado de todos. Mesmo assim, o contato breve não tranquiliza plenamente.
Shadi, residente em Melbourne, conta que a família no Irã verifica informações com vizinhos antes de repassá-las para o exterior. Pontos sensíveis próximos a Teerã aumentam a apreensão de quem acompanha a situação.
Zahra, que vive na Europa, utiliza VPN para acessar apps de mensagens e manter contato com o irmão no Irã. A instabilidade é comum e qualquer queda de conexão provoca preocupação entre familiares.
Pooneh, em Londres, diz que muitos dependem de contatos apenas com familiares que dominam tecnologia. Em geral, a comunicação exporta informações técnicas que ajudam a acompanhar a situação, mas não substitui a presença física.
A organização de contato familiar funciona em duas vias: quem está dentro do Irã repassa informações para quem está no exterior, que por sua vez envia atualizações sobre a guerra indisponíveis no país.
Entre na conversa da comunidade