- Em Nova Délhi, o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, disse que a relação com a Índia seguirá a agenda “America First” e que Washington não vai ajudar a ampliar as capacidades materiais indianas, citando lições do passado com a China.
- A fala ocorreu no Raisina Dialogue, encontro apoiado pelo governo japonês, dias após o início da guerra no Irã, elevando o tom dos debates sobre política externa.
- A reação oficial indiana veio do ministro das Relações Exteriores, S. Jaishankar, ao dizer que o “crescimento da Índia será determinado pela Índia”, sem mencionar diretamente a fala.
- O principal partido de oposição, o Congresso, criticou Landau, dizendo que suas observações são insultantes e anti-Índia, refletindo insatisfações com a aproximação de Modi com a administração Trump.
- Um dia antes, um submarino dos EUA afundou um navio iraniano, o IRIS Dena, perto da costa de Sri Lanka, matando pelo menos 87 pessoas, episódio que gerou críticas entre setores da sociedade indiana.
O governo indiano enfrenta críticas crescentes interno diante da aproximação com a administração de Donald Trump e suas consequências para as relações bilaterais. Dois acontecimentos recentes, em Nova Délhi e próximo ao Sri Lanka, podem influenciar o futuro da parceria EUA-Índia, em meio ao contexto de guerra envolvendo o Irã.
Durante o Raisina Dialogue, em Nova Deli, em 5 de março, o vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, reiterou o compromisso com uma relação colaborativa, mantendo a agenda do “America First”. Ele, porém, avisou que Washington não ampliaria as capacidades materiais de India.
Poiro, Jaishankar afirmou que o crescimento da Índia será definido por Delhi, sem mencionar diretamente o discurso. A declaração buscou sinalizar autonomia frente à administração norte-americana, ao mesmo tempo em que transmite desconforto público e político.
A reação do Congresso Nacional foi rápida: críticas classificaram as falas de Landau como insultantes e anti-Índia. Parte da oposição afirma que Modi tem promovido vínculos com os EUA sem proteger plenamente os interesses nacionais.
Um dia antes da fala de Landau, um submarino dos EUA afundou uma embarcação iraniana, a IRIS Dena, próximo à costa do Sri Lanka, causando pelo menos 87 mortes. O navio retornava do exercício naval multilateral em que a Índia também participou.
O incidente ocorreu em águas internacionais, durante uma operação que envolveu navios de diversas nações amigas da Índia. A ação gerou controvérsia na comunidade civil do país, com críticas ao governo pela resposta pública ao ataque.
Para Delhi, o episódio reforça a necessidade de equilibrar a cooperação com Washington e a manutenção de relações com o Irã. A presença de uma significativa população xiita e remessas do Oriente Médio complicam a postura autônoma da Índia.
Em relação a acordos comerciais, a Índia tem buscado manter canais abertos com os EUA, ainda que haja resistência interna a concessões que possam favorecer Washington. O governo sustenta que negociações recentes ocorreram, mas permanecem inseguras.
O entorno político doméstico aponta um partido no poder sob pressão de críticas tanto da oposição quanto de setores que veem risco na dependência de Washington. A impasse pode afetar decisões futuras sobre tarifas, investimentos e defesa.
Analistas destacam que, apesar da retomada de negociações, a relação bilateral enfrenta fragilidades. A administração Modi precisa equilibrar interesses econômicos, segurança regional e sensibilidades públicas diante de um cenário de tensões no Oriente Médio.
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