- Os Estados Unidos levantaram temporariamente as sanções à venda de petróleo russo já carregado em navios antes de 12 de março, por um mês, sem prorrogação garantida.
- A medida pode permitir a colocação de cerca de 100 milhões de barris de petróleo russo no mercado, conforme o Kremlin e o vice-presidente do Fundo de Investimento Direto Russo, Kirill Dmitriev.
- Bruxelas critica a decisão como unilateral e “muito preocupante”; o presidente do Conselho Europeu, António Costa, chamou o ato de uma medida problemática.
- O secretário do Tesouro dos Estados Unidos disse que a autorização vale apenas para o petróleo russo já em trânsito e não afeta outros ativos ou sanções.
- A decisão ocorre durante negociações entre o presidente Emmanuel Macron e o presidente ucraniano Volodímir Zelenski, com Kiev buscando manter pressão sobre Moscou; Zelenski já havia advertido sobre o impacto negativo se as sanções forem afrouxadas.
Estados Unidos suspendeu temporariamente as sanções à venda de petróleo russo e de outros derivados para navios que já estavam em trânsito antes de 12 de março. A medida vale por um mês, sem garantia de prorrogação, e pode liberar cerca de 100 milhões de barris no mercado, segundo Kirill Dimitriev, dirigente do fundo de investimento direto russo.
A reação internacional foi diversa. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, chamou a decisão de unilateral e muito preocupante, em comunicado divulgado pelas redes sociais. Na prática, a autorização facilita venda de petróleo russo sem os descontos praticados antes, reduzindo barreiras para compradores.
A medida ocorre em meio a uma crise energética global e a pressões de Kiev por sanções mais duras. Ucrânia e seus aliados, incluindo Emmanuel Macron, discutem formas de manter a pressão sobre Moscou mesmo diante de dilemas geopolíticos.
A Secretaria do Tesouro dos EUA informou que a permissão alcança apenas o petróleo que já está em alto mar, não afetando barris que ainda não partiram. A iniciativa também permite que o Kremlin venda o petróleo sem os grandes descontos que eram exigidos para clientes, como a Índia.
Zelenski havia destacado, antes de sua visita a Paris, que aliviar o cerco ao petróleo russo seria um golpe para a defesa de Ucrânia e para a reputação internacional. Compartilha com Macron a agenda de manter a pressão sobre Moscou diante da guerra iniciada em 2022.
Washington havia anteriormente suspenso o veto à venda de petróleo russo para a Índia, e a nova decisão confirma flexibilização para outros compradores. A medida não altera se a produção russa continuará sujeita a sanções em outros setores.
Analistas ressaltam que, apesar do fluxo adicional de divisas, a situação econômica de Moscou depende de fatores além do petróleo, com impactos limitados sobre a guerra liderada por Putin. Observadores destacam a síntese entre sanções e estratégias de mercado.
Reação da comunidade internacional
Bruxelas expressou preocupação com a flexibilização, destacando riscos para a coesão das sanções. Além disso, há apreensão sobre o impacto nos preços de energia e na inflação global.
Contexto econômico da Rússia
Relatórios indicam déficit público russo elevado, resultado de medidas de contenção de gastos e ajustes fiscais. Ainda assim, o petróleo continua respondendo por parte relevante das receitas do governo, mesmo com restrições em outros setores.
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