- Em quinze de março de dois mil vinte e cinco, Brandon Sigarán e mais de duzentos cinquenta venezuelanos foram deportados dos Estados Unidos para El Salvador e encaminhados ao Cecot, prisão de alta segurança de Bukele.
- Logo após a chegada, eles ficaram incomunicados; a Human Rights Watch classificou o caso como desaparecimento forçado. Em julho, os venezuelanos foram trocados de volta para Caracas em troca de presos.
- Até hoje, cinco salvadorenhos deportados permanecem sem contato com familiares ou advogados, apesar de petições, recursos e medidas cautelares da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
- Kilmar Abrego García, deportado junto com os venezuelanos, foi devolvido aos Estados Unidos e desde então luta pelo direito de viver no país; ele virou símbolo da crueldade citada pelas famílias.
- As famílias recorreram a canais legais nacionais e internacionais; está prevista uma petição à CIDH para responsabilizar o Estado de El Salvador pela violação de direitos humanos.
Dois grupos de famílias vivem há um ano a incerteza provocada pela deportação de refugiados para El Salvador. No caso de mais de 250 venezuelanos, enviados em março de 2025, a comunidade internacional acompanhou a liberação gradual e retorno a casa, com ressalvas. Já entre salvadorenhos deportados, a situação permanece sem solução, com cinco nomes ainda desaparecidos dentro das prisões de Bukele.
Brandon Sigarán, deportado junto com os venezuelanos, é lembrado pela família como alvo de buscas incessantes por respostas. O filho de Herbert Sigarán completa 51 anos, mas não houve celebração; a família permanece sem contato com ele desde o desembarque em El Salvador. A pressão aumentou após decisões judiciais em várias jurisdições, que não trouxeram acesso a informações ou defesa.
Em El Salvador, os detidos são mantidos no Cecot, a prisão de alta segurança inaugurada pelo governo de Nayib Bukele. Conforme o tempo passou, as famílias recorrem a habeas corpus, recursos legais e à Corte Interamericana de Direitos Humanos sem obter comunicação estável com os deportados.
Desaparecidos dentro das prisões de Bukele
Entre os deportados, Elmer Escobar González figura entre os casos que geraram especial atenção. A família descreve a trajetória dele desde a saída do sistema norte-americano à vigência de denúncias contra ele, que foram contestadas pela defesa familiar. A lista de dificuldades inclui a dificuldade de acesso a advogados e a ausência de informações oficiais sobre o paradeiro.
A CIDH foi acionada por familiares de pelo menos cinco salvadorenhos para exigir medidas de proteção e direito a contato consular. Em novembro, o governo salvadorenho admitiu que quatro dos desaparecidos estavam sob custódia local; apenas Brandon permaneceu no Cecot. Contudo, não houve abertura de contatos regulares com familiares nem com advogados.
Caminhos legais e expectativas
O advogado Kelvi Zambrano, contratado de forma voluntária, orienta a tentativa de uma nova ação internacional. A defesa planeja apresentar, em breve, uma petição para responsabilização do Estado de El Salvador diante da CIDH, buscando medidas de proteção e comunicação com os afetados. As famílias aguardam esse desfecho com cautela diante do histórico de silêncios oficiais.
Enquanto isso, os impactos pessoais persistem. Karla Sigarán relata depressão do marido e impacto profissional próprio, com prejuízos na rotina familiar. A experiência de vigilância constante e a ausência de notícias criam um peso emocional duradouro para os parentes, que vivem na expectativa de esclarecer o paradeiro dos deportados.
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