- O pacote Grids (Grids Package) é a resposta legislativa da UE para reformar o sistema elétrico e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, com foco em infraestrutura transfronteiriça e planejamento mais ágil.
- Em 2025, renováveis chegaram a 23% da geração de eletricidade da UE, enquanto a dependência de gás russo caiu de 45% (2022) para cerca de 13% (2025); o LNG passou a representar parte relevante das importações.
- A maior parte do LNG hoje vem de Estados Unidos (aproximadamente 60% das importações de LNG da UE no terceiro trimestre de 2025), evidenciando a mudança de fornecedores e a nova vulnerabilidade geopolítica.
- A UE gastou 396 bilhões de euros em importações de combustíveis fósseis em 2025 e importa cerca de 57% de sua energia total, com diferenças significativas entre países (ex.: Malta e Luxemburgo altamente dependentes; França mais protegida por nuclear).
- O pacote prevê regras para licenciamento, investimento e coordenação transfronteiriça, com metas como 40% de transformadores e cabos feitos na UE até 2030, e busca acelerar projetos de energia, contudo as visões sobre prazos, custos de compartilhamento de benefícios e planejamento central variam entre Estados-membros.
A tensão entre os EUA e o Irã, aliada a ataques no Golfo, afetou rotas de energia no Oriente Médio, elevando os preços do petróleo e do gás. A União Europeia enfrenta esse cenário enquanto tenta reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, especialmente do gás russo.
A resposta europeia passa pela Grids Package, lançada pela Comissão Europeia em dezembro de 2025, que busca redesenhar o sistema elétrico da UE. O objetivo é acelerar investimentos, ampliar a conectividade entre os estados-membros e reduzir a vulnerabilidade a choques geopolíticos.
Além disso, a UE avançou com o REPowerEU, aumentando a capacidade de armazenamento de gás para pelo menos 90% ao ano a partir de 2022. As energias renováveis atingiram 25,2% do consumo total de energia em 2025, contribuindo para a redução das importações de gás russo.
O que é o Grids Package
A iniciativa propõe mudanças em regras de planejamento, licenciamento, investimentos e coordenação transfronteiriça, alterando quatro diretivas-chave, entre elas a Diretiva de Energia Renovável. A Comissão julga essencial consolidar uma malha elétrica europeia mais integrada, com maior participação de energia doméstica.
Defensores, como Dan Jørgensen e Teresa Ribera, destacam a necessidade de autonomia estratégica. O foco está em reduzir a dependência de combustíveis importados e acelerar grandes projetos transfronteiriços, com prazos e critérios de aprovação mais definidos.
Críticos do setor contestam, por exemplo, a obrigação de compartilhamento de benefícios para projetos acima de 10 megawatts. Há reservas sobre impactos ambientais e a viabilidade de prazos para licenciamento de grandes projetos de interesse comum.
Desafios e impactos práticos
A UE ainda depende de importações para cerca de 57% de sua energia total, com diferenças significativas entre os Estados-membros. A produção doméstica de gás cobre apenas 10% da demanda, e a transição envolve desafios de cadeia de suprimentos e custos.
O plano prevê corredores energéticos de alta capacidade e exigência de que 40% dos transformadores e cabos sejam produzidos na UE até 2030. Também traz regras para ampliar a fiscalização de fornecedores e reduzir riscos de interrupção na oferta.
Alguns governos pedem mais flexibilidade nos prazos de implantação, citando lacunas administrativas. Alemanha e Dinamarca apoiam a coordenação europeia, mas resistem a um planejamento central que ultrapasse estratégias nacionais.
Preços, estoques e resposta europeia
Os preços de gás entraram em volatilidade com o impacto de paralisações no Irã e tensões com a região, elevando as cotações do gás no mercado holandês. O armazenamento de gás da UE fica abaixo do ideal para o inverno, segurando a atenção dos governantes.
A Comissão Europeia ordenou reuniões de coordenação de gás e óleo, enquanto autoridades internacionais estudam ações estratégicas, como liberar reservas. A discussão sobre teto de preços de gás permanece sob avaliação entre os Estados membros.
Como medida adicional, a UE analisa formas de conter a inflação associada à alta de preços da energia, com foco no equilíbrio entre fornecimento robusto, investimento em infraestrutura e diversificação de fornecedores.
Neste contexto, especialistas destacam que acelerar a interconexão elétrica e ampliar a autonomia energética não é apenas uma resposta ambiental, mas uma estratégia econômica e de soberania.
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