- O governo dos Estados Unidos abriu uma série de investigações da Seção 301 do Ato de Comércio de 1974 contra 16 economias, como prelúdio a novas tarifas.
- As ações miram práticas comerciais “desiguais” e, na prática, podem levar a tarifas mais duradouras, especialmente após a Suprema Corte ter considerado ilegais tarifas aplicadas anteriormente.
- Além disso, a USTR abriu investigações para 60 economias, alegando uso de trabalho forçado para baratear mão de obra no exterior.
- As tensões comerciais ajudaram a elevar preços ao consumidor e prejudicar aliados, que não foram suficientes para atender aos pedidos de apoio de Washington.
- A economia dos Estados Unidos já mostrava sinais de fragilidade, com revisão para baixo do crescimento do PIB no quarto trimestre anterior, em meio a impactos da guerra e das guerras comerciais.
O governo de Donald Trump intensifica a guerra econômica contra parceiros comerciais, ao mesmo tempo em que mantém tensões com o Irã. A ofensiva envolve novas investigações de tarifas sob a seção 301 e o uso de ferramentas legais para impor medidas arrasadoras ao comércio global. A escalada ocorre em um momento de instabilidade nos mercados e de pressão sobre aliados e setores industriais.
A seção 301, prevista na Lei de Comércio de 1974, é a linha utilizada pelo governo para ampliar o poder de tarifação sem aprovação direta do Congresso. As ações visam padrões de prática comercial considerados “unfair” e mantêm o impulso de tarifas iniciadas no primeiro mandato. O objetivo declarado é pressionar concorrentes a mudanças, ampliando o espaço de manobra da administração.
Após a decisão judicial que derrubou parte das tarifas aplicadas com base em outro instrumento, o governo recorreu a uma segunda ferramenta que não exige aprovação congressual direta e tem prazo menor de expiração. A mudança sustenta a estratégia de manter tarifas por tempo indeterminado, com menos freios institucionais.
Analistas destacam que a decisão da Suprema Corte criou espaço para novas rodadas de tarifas sem votação no Congresso, o que aumenta o risco de confrontos diplomáticos. Especialistas observam que esse caminho eleva a incerteza sobre o comércio com parceiros históricos e pode piorar pressões inflacionárias.
A administração avalia que as medidas abrangem 16 economias sob acusações de práticas discriminatórias e atuam também sobre 60 economias para frear o uso de trabalho forçado na cadeia de suprimentos. A ofensiva é apresentada como resposta a alegações de que fornecedores externos competem de forma desleal.
No fronta a frente internacional, o giro de políticas ocorre em meio a controvérsias por apoio de aliados na pressão sobre o Irã. Enquanto a ofensiva contra o Irã avança, respostas de parceiros comerciais têm sido mornas, com poucas manifestações públicas de alinhamento completo.
Economistas apontam que, além do efeito direto sobre tarifas, a guerra comercial pode elevar preços ao consumidor e reduzir o ritmo de crescimento econômico dos EUA. Dados oficiais apontam recuo do desempenho econômico recente, acentuando a sensibilidade do tema para o bolso das famílias.
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