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Irã pode sustentar guerra econômica dos EUA, aponta análise

Apesar da pressão dos EUA, Irã pode sustentar economia de guerra, com queda de importações, reservas em uso e continuidade da produção bélica

A woman walks at the old bazaar in the city of Shahr-e Ray, south of Tehran, on January 8, 2024.
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  • Os Estados Unidos aumentam a pressão econômica contra o Irã, com possibilidades de ações militares, como bloqueio de exportação de petróleo ou ataque a Kharg Island.
  • Apesar das sanções, o Irã não adotou uma economia de guerra centralizada; a resiliência veio principalmente de forças de base no mercado e nas famílias.
  • A desvalorização do rial e protestos recentes, somados ao fechamento do estreito de Hormuz, dificultam o comércio iraniano e ampliam pressões inflacionárias.
  • Mesmo com redução das importações, o Irã pode manter receitas de exportação não petrolíferas em torno de dois bilhões de dólares por mês, o que ajuda a sustentar a balança de pagamentos.
  • Para impactar decisivamente a capacidade de financiar o conflito, seria necessário mirar instalações industriais e infraestrutura, o que escalaria a guerra e poderia provocar retaliações na região.

O governo dos EUA intensificou a pressão econômica sobre o Irã, que, apesar das sanções, ainda pode manter uma economia de guerra. O regime iraniano enfrentava fragilidade econômica há anos, agravada por sanções massivas, mas ainda busca mecanismos para sustentar a produção militar.

O embargo de importações, a desvalorização do rial e o uso de reservas internacionais moldam o cenário. Embora o líder iraniano tenha prometido uma economia de resistência, a política econômica foi marcada por uma atuação mais liberal, com pouca intervenção estatal direta.

A ofensiva dos EUA incluiu ataques a alvos militares, com ações envolvendo o complexo de Kharg Island e, segundo relatos, consultas sobre ataques ao sul do campo de gás de Pars. A escalada também envolve declarações sobre o Estreito de Ormuz e medidas relacionadas às exportações de petróleo.

O Irã conta com circulação significativa de comércio pelo Golfo, representando cerca de 64% do volume de comércio em portos do país. A pressão sobre importações resulta de demanda interna por bens intermediários e itens de capital, além de medidas cambiais que favoreceram o estoque de valor.

Dados indicam que as importações chegaram a 72 bilhões de dólares no ano iraniano que terminou em março de 2025, um aumento considerável frente ao período anterior. A elevação decorre tanto da resiliência industrial quanto da busca por proteção contra inflação por meio de estoques.

O banco central enfrentou dificuldades para fornecer liquidez ao mercado de câmbio. Em três dos últimos quatro anos houve desvalorização do rial, com protestos que se tornaram mobilizações nacionais em janeiro. Essas dinâmicas complicam a defesa do valor da moeda.

Especialistas apontam que, para afetar de modo decisivo a capacidade de financiamento do conflito, seria necessário mirar infraestrutura industrial e de utilities, como fornos de aço e usinas elétricas. Medidas nesse nível podem acionar retaliações regionais.

Enquanto a economia iraniana já sinaliza contração e queda no padrão de vida, o fluxo de exportações não-oil segue ativo, com receitas estimadas em milhes de dólares mensais via portos do Golfo e rotas terrestres. Mesmo diante de cortes, o Irã pode manter receitas para sustentar a guerra.

Em suma, a escalada busca pressões sobre o petróleo e infraestruturas-chave, mas o Irã pode manter atividades essenciais para a produção militar com redes de comércio diversificadas. O desfecho depende de ações políticas e estratégicas futuras, sem concluir ou opinar sobre o conflito.

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