- Orban intensificou a campanha antiucraniana após pesquisas mostrarem o apoio a Magyar em vantagem de até 20 pontos antes das eleições de 12 de abril.
- O governo bloqueou o pacote de ajuda da União Europeia de 105 bilhões de euros à Ucrânia e interrompeu exportações de combustível húngaro até restabelecer o Druzhba.
- O ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjártó, negociou com o presidente russo, Vladimir Putin, pela libertação de prisioneiros e houve detenções temporárias de cidadãos ucranianos na Hungria.
- Orban passou a usar a estratégia de demonizar a Ucrânia para tornar a eleição um tema de sobrevivência nacional, buscando desviar o foco da avaliação sobre seu governo.
- Magyar manteve liderança da oposição e apresentou programa com relação mais próxima à União Europeia, enquanto Orban tenta manter a mobilização de apoiadores diante de um cenário político tenso.
Viktor Orban aproveita a voracidade da campanha para associar a oposição a uma suposta ameaça externa. Em menos de seis semanas para as eleições, o partido governista Fidesz viu a oposição liderada por Peter Magyar ganhar vantagem expressiva nas pesquisas, mas respondou elevando o peso da questão externa, especialmente a relação com a Ucrânia.
O funcionamento da estratégia ficou claro: apontar Kiev como responsável por disruptar a energia húngara e desviar o foco de problemas internos. Orban lançou uma campanha de alto custo com outdoors e mensagens que colocam Zelensky no centro do jogo político, defendendo que o país deve resistir a pressões externas.
Na véspera da data de votação, o governo bloqueou parte da ajuda da União Europeia à Ucrânia e suspendeu exportações de combustível. No início de março, houve negociações entre o ministro das Relações Exteriores húngaro e o presidente russo para a libertação de prisioneiros; a Ucrânia condenou a ação, dizendo violar o direito internacional.
Intervenções diretas de autoridades húngaras, incluindo detenções temporárias de cidadãos ucranianos, também entraram no discurso do governo como parte de uma narrativa de segurança nacional. Kyiv contestou as medidas e afirmou que a cooperação com a Hungria deveria permanecer estável, independentemente de eleições.
Magyar, ex-membro do governo que rompeu com Orban, tem mantido o foco na melhoria da governança doméstica e na relação com a União Europeia, sem adotar postura pró-Ucrânia explícita. Sua campanha destaca falhas em serviços públicos, corrupção e economia, buscando atrair eleitores descontentes.
Enquanto Magyar avança, Orban busca manter a atenção pública com um tema externo, repetidamente citando ameaças vindas de fora. A estratégia visa consolidar apoio entre eleitores que veem o país em posição de defesa nacional, mesmo diante de dificuldades econômicas internas.
Situação econômica do país, com inflação elevada e desaceleração de crescimentos recentes, permanece como pano de fundo. Pesquisas indicam que, apesar do interesse por mudanças, a estratégia de Orban pode sustentar uma mobilização de apoiadores que já se mostraram fiéis ao longo de anos.
Se Orban permanecer no cargo, a Hungria enfrentará desafios diplomáticos na UE, incluindo possíveis impactos sobre direitos de voto e subsídios. Se Magyar vencer, o foco deve recuar para reformas domésticas e para a recuperação de fundos da UE, com maior ênfase em governança e confiança internacional.
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