- Com a eleição de outubro, o peso da relação com os Estados Unidos volta a aparecer na política externa brasileira, sob foco nas possíveis consequências da gestão de Donald Trump para o governo Lula.
- desde a posse de Trump em janeiro de 2025, houve desgaste nas relações Brasil–EUA, com tensões ligadas a tarifas e a sanções a autoridades brasileiras, incluindo Alexandre de Moraes.
- pesquisa Quaest aponta que 32% dos entrevistados podem votar em Lula pelo antagonismo a Trump, enquanto 28% dizem que o apoio de Trump aumenta as chances de votar em Flávio Bolsonaro.
- o governo brasileiro suspendeu o visto do conselheiro sênior de Trump, Darren Beattie, e atendeu a pedidos para revogar vistos de familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em resposta a pressões da Casa Branca.
- especialistas avaliam que não há risco de intervenção militar norte-americana, mas destacam possíveis sanções ou restrições econômicas contra grupos criminosos, com o tema entrando no debate eleitoral e influenciando a segurança pública.
O impacto da leitura internacional na corrida presidencial brasileira ganha destaque com o retorno de Donald Trump à Casa Branca. O governo Lula discute como a gestão norte-americana pode influenciar o pleito deste ano, em outubro.
Desde janeiro de 2025, quando Trump reassumiu o posto, a relação entre Brasil e EUA ficou mais complexa. Tensões vêm de tarifação de produtos nacionais e de sanções a autoridades brasileiras, incluindo Alexandre de Moraes, ministro do STF.
A avaliação interna aponta que o cenário externo pode moldar votos, especialmente entre eleitores de direita e de esquerda, segundo pesquisas recentes. Parte do eleitorado vê no alinhamento com Trump um fator relevante para o apoio a candidatos da direita.
Relação Brasil-EUA e consequências eleitorais
Entre os efeitos, cresce a aproximação de setores associadas ao ex-presidente Bolsonaro (PL) com o governo Trump. A leitura é de que políticas conservadoras poderiam receber maior suporte no Brasil caso haja maior sintonia com a linha norte-americana.
A pesquisa Quaest indica que 32% afirmam considerar Lula em função do antagonismo a Trump, enquanto 28% veem potencial aumento de votos em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o apoio de Trump. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Em Brasília, o governo Lula também acompanhou discussões sobre a possibilidade de ações conjuntas em temas de segurança pública e sanções econômicas. A conversa envolve, ainda, a demarcação de alianças com blocos de direita na região.
Controle de atividades internacionais e visto diplomático
Um recurso diplomático citado envolve o visto de Darren Beattie, conselheiro sênior do governo Trump, que pretendia visitar o Brasil para um evento sobre minerais críticos. O STF já havia autorizado uma passagem anterior, mas houve revogação sob argumento de risco de interferência.
Ao ser questionado, Lula afirmou que avaliaria revogar vistos caso o governo americano mantivesse restrições, inclusive ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e familiares dele. Em agosto do ano anterior, Padilha e familiares tiveram vistos retirados pelo governo dos EUA.
Para especialistas, não há risco de intervenção militar norte-americana no território brasileiro decorrente de vínculos comerciais. A avaliação é de que se pode ocorrer maior cooperação para ações contra organizações criminosas.
Conteúdo regional e impactos legais
A possibilidade de sanções jurídicas, econômicas ou financeiras contra organizações ligadas ao narcotráfico é destacada por analistas. A discussão envolve também preocupações sobre a aplicação de enquadramentos legais a grupos políticos ou movimentos violentos, com foco em evitar abusos.
Na perspectiva de autoridades brasileiras, o país pode manter a soberania ao enfrentar o crime organizado, sem recorrer a ações extraterritoriais. O tema continua em debate entre governo, Congresso e especialistas em segurança pública.
Comissões e posicionamentos no Parlamento
A resposta do governo a Trump divide o Legislativo. A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, sob comando do PL, tem recebido críticas em reação às posições de Lula e ao distanciamento de algumas pautas do governo norte-americano.
O deputado Filipe Barros, que presidia a comissão, afirmou que a política externa brasileira deveria alinhar-se com democracias estáveis. Ele criticou a cooperação com regimes autocráticos, sugerindo que o Brasil signifique sua postura de soberania em pautas externas.
Orleans e Bragança, também do PL, integra o grupo que cobra posição mais firme contra o que chamam de interferência externa. Eles defendem uma agenda que priorize a segurança interna e a cooperação com parceiros considerados democráticos.
Perspectivas para o eleitorado
Especialistas ouvidos ressaltam que temas internacionais tendem a entrar no debate público, especialmente em função de impactos econômicos ou de segurança. A economia, porém, permanece como principal fator de decisão para muitos eleitores, com foco em inflação, emprego e serviços públicos.
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