Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Caso dos safaris humanos de Sarajevo avança com destino incerto na Itália

Caso dos 'safaris humanos' de Sarajevo avança na Itália com três investigados; novo livro traz testemunhos e detalhes sobre viagens e pagamentos

Ciudadanos de Sarajevo, Bosnia, se protegen de disparos de francotiradores tras un carro de combate de la ONU en 1995.
0:00
Carregando...
0:00
  • A procuradoria de Milão abriu diligências contra três investigados suspeitos de participação em viagens a Sarajevo para atirar em civis durante a guerra na Bósnia nos anos 90.
  • O jornalista Ezio Gavazzeni publicou o livro I cecchini del weekend, com novos testemunhos e detalhes sobre os supostos francos-tiradores de fim de semana.
  • Segundo relatos, havia viagens organizadas desde Trieste com carros disfarçados de ambulâncias, que levavam armas até o front em Sarajevo e, às vezes, em Mostar, Tuzla e Srebrenica.
  • O perfil dos participantes seria de pessoas ricas, frequentemente com ideologia de extrema direita; entre os testemunhos, há menção a uma agência belga com base em Londres e uma operação controlada a partir de Milão.
  • As informações inclinam-se a custos por vítima, com tarifas variáveis (incluindo crianças), relatos de um suposto mercenário conhecido como “El Francés” e indicação de cerca de duzentos a trêscentos italianos participantes, além de outros nacionais; ainda não há confirmação documental oficial.

O caso dos “safaris humanos” de Sarajevo avança na Itália, com três investigados sob análise pela Justiça milanesa. A investigação mira viagens organizadas para se deslocar ao front de Sarajevo durante a Guerra da Bósnia, entre 1991 e 1995, para atirar em civis mediante pagamento.

O jornalista Ezio Gavazzeni, que denunciou à Fiscalía de Milão a existência dos supostos expedicionários, publicou um livro com novos testemunhos. O material traz relatos que remontam a décadas, embasando a linha de investigação, mas com base em depoimentos pontuais e, em alguns casos, não verificados de forma definitiva.

Entre os investigados, consta um caminhoneiro de cerca de 80 anos de San Vito al Tagliamento, cuja casa foi revistada pelos Carabinieri. Ele já foi ouvido pela Justiça, mas afirmou não ter envolvimento com a atividade de “caçar” civis na década de 1990. Outros dois suspeitos são um caçador de uma região central e um empresário de Lombardia.

Investigação e depoimentos

A Procuradoria identificou que, em algum momento, esses indivíduos mencionaram participar dos tais “viagens” ou as teriam comentado em encontros sociais. Há relatos de pessoas que ouviram conversas nesse sentido em círculos próximos a caças, armas e poligonos de tiro.

Gavazzeni, em seu livro *I cecchini del weekend*, revela novos detalhes, reunidos após a denúncia e a divulgação dos relatos pela imprensa. Muitos depoimentos são de ouvido, mas apontam para um fenômeno que circulava em determinados ambientes ligados à guerra.

Um espanhol identificado no material como Toni C. relata que um organizador espanhol de origem catalã oferecia viagens a Yugoslávia para “atirar em seres humanos”, descrevendo o aparato como uma prática de pessoas ricas. O livro traz também relatos de um ex-agente de serviços secretos italianos e de um mercenário apelidado de *El Francés*, que teria atuado como guia.

Desdobramentos e contexto

Segundo o relato do *El Francés*, as operações teriam sido coordenadas por uma agência belga com sede em Londres, apoiada por um grupo em Milão. A narrativa aponta trajetos que começavam em Milão, seguiam por Trieste e terminavam em Belgrado, com deslocamentos até Sarajevo, Mostar, Tuzla e Srebrenica. A estimativa apresentada por esse testemunho seria de cerca de 230 italianos entre 1991 e 1995, além de franceses, belgas, suíços e austríacos.

O material traz ainda a descrição de uma linguagem interna entre os participantes, com códigos para “arqueros” (disparadores) e “ciervos” (víctimas), além da prática de registrar o número de vítimas para calcular valores pagos à agência. As tarifas variavam conforme o perfil da vítima, incluindo crianças, mulheres e idosos.

Perspectivas da investigação

Até o momento, a linha que mais sustenta a investigação é a de Edin Subasic, ex-agente bosnio que relatou o caso aos serviços italianos em 1994. Giffoni, ex-número dois da missão italiana em Sarajevo, reiterou a existência dos safaris aos meios de comunicação. A Justiça busca documentos oficiais que comprovem as viagens e a participação de terceiros nesses atos.

Os promotores aguardam novas diligências para esclarecer a extensão das atividades e confirmar a participação de possíveis empresários, médicos, advogados e figuras públicas mencionadas nos relatos. A → investigação permanece aberta e sem conclusão.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais