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Argentina processa 292 por crimes da ditadura 50 anos após o golpe

Na Argentina, 292 pessoas respondem a ações penais por crimes da ditadura; 1.231 já foram condenadas, e o tempo aperta com o envelhecimento de vítimas e réus

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  • Cinquenta anos após o golpe de 1976, a Justiça argentina já condenou 1.231 pessoas por crimes da ditadura.
  • Desde 2006, foram proferidas 361 sentenças contra agentes da repressão, em casos de sequestros, torturas e desaparecimentos.
  • Atualmente, 292 pessoas respondem a ações penais e 517 estão indiciadas; 250 acusados já foram absolvidos.
  • Sol Hourcade afirma que processos dessa natureza são complexos e exigem agilidade, pois os envolvidos e muitos sobreviventes estão envelhecendo.
  • Organizações de direitos humanos lembram que a ditadura operou em milhares de centros clandestinos e que centenas de bebês foram roubados durante o período.

Faz 50 anos desde o golpe de 1976 que iniciou a ditadura na Argentina (1976-1983). Hoje, a Justiça condenou 1.231 pessoas por crimes ocorridos no período, segundo dados da Procuradoria de Crimes contra a Humanidade. O balanço leva em conta julgamentos desde 2006, quando foram retomados.

Ao todo, 361 sentenças já foram proferidas contra agentes da repressão e cúmplices de sequestros, torturas e desaparecimentos. Atualmente, 292 pessoas respondem a ações penais e 517 estão indiciadas, de acordo com o Ministério Público da Argentina.

Entre os condenados, 250 já foram absolvidos em casos julgados. A coordenadora do CELS, Sol Hourcade, destaca a importância de acelerar os processos, pois os réus envelhecem e testemunhas moram no tempo presente dos julgamentos.

Contexto histórico

Após o golpe de 24 de março de 1976, a ditadura manteve milhares de opositores em 814 centros clandestinos de detenção. Organizações de direitos humanos estimam cerca de 30 mil desaparecidos, número contestado pelo governo atual, que aponta 8.961 vítimas.

Bebês roubados de mães durante o regime aparecem entre as vítimas; cerca de 140 já foram identificados pelas Avós da Praça de Maio. Nos anos 1980, julgamentos de altos apoiadores das juntas militares consolidaram-se como referência.

Avanços e fragilidades do sistema

A partir de 2000, a Corte Suprema reconheceu crimes de natureza imprescritível, retomando a tramitação de processos. O Ministério Público afirma que os julgamentos ajudam a devolver voz às vítimas e a consolidar o consenso social contra abusos.

Conforme Hourcade, há lacunas na busca por documentos que identifiquem responsáveis por violações. Ela aponta redução de destaque de direitos humanos no governo atual e questiona o ritmo dos reconhecimentos. ONU tem observado preocupações sobre esse recuo institucional.

Panorama atual e desafios

Caso os 12 processos ainda em andamento siga com trâmite, o ritmo continuará sendo alvo de críticas. A coordenadora enfatiza a necessidade de rápida apuração, diante da fragilidade de testemunhas e do avançar da idade dos réus.

Ainda segundo Hourcade, muitas vítimas permanecem sem identificação completa de local de prisão, responsáveis ou destino de pessoas desaparecidas. Ela ressalta a obrigação do Estado de buscar a verdade e assegurar reparação.

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