- A USAID foi uma das maiores financiadoras de conservação, destinando cerca de US$ 400 milhões anuais, até ser encerrada pelo presidente Donald Trump em janeiro de 2025, o que interrompeu também programas de saúde.
- Uma análise estima que cerca de 834 mil pessoas perderam vidas devido ao fim de programas de saúde, com impactos equivalentes a reduções de financiamento para conservação em todo o mundo.
- Exemplos de impacto incluem o fim de programas como as eco-guardas na Libéria e a interrupção de projetos no Congo Basin, além de pressões sobre grandes ONGs ambientais que receberam dezenas de milhões de dólares da USAID.
- Algumas organizações buscaram respostas rápidas com recursos de emergência (ex.: financiamento de retorno de patrocínios locais), realocação de verbas internas e apoio de doadores europeus; surgem iniciativas como Momentum for the Environment e a U.S. Foundation for International Conservation.
- Os efeitos de longo prazo são difíceis de medir; especialistas destacam que parte do dano será conhecido apenas ao longo de décadas, com possíveis perdas de conhecimento e oportunidades que não poderão ser recuperadas.
O fim da USAID deixou ruídos profundos na conservação e na saúde global. A agência, criada por John F. Kennedy, chegou a financiar quase US$ 400 milhões anuais em conservação antes de ser encerrada pelo governo atual em janeiro de 2025. A decisão interrompeu dezenas de programas e ações que mobilizavam comunidades e organizações ao redor do mundo.
A mudança política ocorreu quando o atual presidente ordenou o fechamento da agência, levando ao desligamento de projetos estratégicos no enfrentamento de doenças e na proteção de habitats. Estudos estimam que a suspensão de programas de saúde tenha provocado milhares de mortes já no curto prazo, além de interromper investimentos em conservação que ajudavam espécies e ecossistemas.
Impacto humano e ambiental
A ausência de funding compromete ações de HIV/AIDS, malaria e outras frentes de saúde que já haviam salvado milhões de vidas nas últimas duas décadas. Pyonglinhas de conservação também foram atingidas, com a suspensão de iniciativas que apoiavam comunidades na proteção de florestas, rios e espécies.
Casos emblemáticos de impacto
Entre os exemplos, destacam-se a Liberia, Congo Basin, Amazônia e Indonésia, onde ONGs e governos locais viam em USAID uma fonte central de recursos. Organizações de grande porte, como Wildlife Conservation Society, Nature Conservancy e World Wildlife Fund, recebiam dezenas de milhões de dólares anualmente, viabilizando ações de campo, pesquisa e formação de profissionais.
Conservação sob risco e respostas locais
Em Liberia, o programa de eco-guardas, que empregava centenas de cidadãos locais, ficou sem o financiamento regular, suspendendo patrulhas e atividades de fiscalização. No Congo Basin, a atuação da USAID era conhecida por apoiar mapeamento, monitoramento e articulação entre comunidades, governos e organizações, fortalecendo a conservação regional.
Reações e estratégias de continuidade
Frentes locais recorreram a financiamento emergencial de doadores internacionais, redirecionaram recursos internos e buscaram apoio europeu, especialmente de Noruega e Alemanha. Em alguns casos, houve readequação de prioridades, com o adiamento de planos de longo prazo para manter atividades essenciais.
Iniciativas de recuperação e inovação
Apesar do cenário, surgem esforços para preservar conhecimento e redes. Dois ex-funcionários da USAID coordenam a iniciativa Momentum for the Environment, que identifica projetos ainda viáveis e tenta conectá-los a financiadores privados. Ações de captura de dados e lições aprendidas também marcam a busca por resiliência.
Visão de longo prazo
Especialistas destacam que conservação é tarefa de décadas, dependente de experiência local e práticas participativas. A perda de conhecimentos acumulados pode atrasar avanços e tornar mais lenta a recuperação de ecossistemas. O chamado é por atenção de longo prazo aos impactos humanitários e ecológicos.
Apoio internacional e perspectivas
Existe ainda a Fundação para a Conservação Internacional dos EUA, com apoio bipartidário, que atua como mecanismo de correspondência de recursos com a iniciativa privada. O objetivo é manter projetos críticos em andamento enquanto o cenário político global se ajusta.
Contexto adicional
Profissionais ouvidas destacam que financiamento internacional, ciência de base comunitária e práticas de desenvolvimento respeitosas foram pilares da atuação da USAID na conservação. A experiência institucional, segundo interlocutores, ajudava a manter projetos com foco em comunidades locais, direitos de terras e gestão ambiental sustentável.
O foco agora é monitorar impactos a longo prazo
Especialistas ressaltam que muitos efeitos não se refletem imediatamente; podem se tornar visíveis apenas em décadas. A continuidade de ações de conservação dependerá de parcerias, novos financiamentos e esforços de preservação do conhecimento acumulado.
Fontes de apoio e caminhos possíveis
Entre iniciativas que buscam manter projetos, estão a matching fund de fundações para conservação, esforços de reconexão entre ex-colaboradores e comunidades, e programas que promovem participação local em planejamento de uso de terras. Tais caminhos indicam uma janela de recuperação, ainda que complexa.
Como acompanhar
O público pode seguir o desenvolvimento de Momentum for the Environment, iniciativas de reimaginação da conservação e outras fontes de financiamento privado voltadas à proteção de ecossistemas e comunidades vulneráveis. A consolidação de lealdades institucionais será crucial para a retomada de programas de conservação em várias regiões.
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