- Um em cada cinco casos de tuberculose na região europeia fica não diagnosticado, com resistência a medicamentos acima da média global.
- Em dois mil e vinte e quatro foram notificados mais de cento e sessenta mil novos casos, com estimados duzentos e quatro mil casos reais; setenta e nove por cento dos casos estimados foram notificados.
- A incidência na região caiu trinta e nove por cento desde 2015 e as mortes caíram quarenta e nove por cento, mas os avanços não atingem as metas da Organização Mundial da Saúde para dois mil e vinte e cinco.
- A tuberculose resistente a antibióticos permanece como grande desafio: tuberculose multirresistente entre casos novos é vinte e três por cento e entre os já tratados é cinquenta e um por cento.
- Recomenda-se diagnóstico rápido, regimes de tratamento oral mais curtos e maior acompanhamento, além de cooperação transfronteiriça para diagnosticar mais cedo, melhorar os resultados e reduzir a transmissão.
A tuberculose continua como desafio de saúde pública na Europa, segundo um relatório conjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). O documento aponta que 1 em cada 5 casos não é diagnosticado na região.
Apesar da queda no total de casos, a doença permanece relevante na União Europeia, com avanços insuficientes rumo à eliminação. A transmissão continua alta entre grupos vulneráveis, e a detecção precoce ainda é irregular.
Na região da OMS para Europa, que abrange 53 países, houve queda de 39% nos casos desde 2015 e de 49% nas mortes. Mesmo assim, os números não atingem as metas da End TB Strategy para 2025.
Na UE, as reduções foram de 33% nos casos e 17% nas mortes, insuficiente para metas de 2030. O relatório estima mais de 160 mil casos diagnosticados em 2024, com 204 mil estimados no total, ou seja, 79% de notificação.
Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, ressalta que casos não diagnosticados significam perda de oportunidade de tratamento e maior transmissão. Investimentos em diagnóstico rápido são vistos como caminho crítico.
Resistência bacteriana e tratamento
A resistência a medicamentos é um desafio crescente. TB multirresistente entre casos novos chega a 23% e entre os já tratados, 51%, muito acima das médias globais de 3,2% e 16%.
O relatório indica que a resistência elevada, especialmente entre pacientes previamente tratados, reflete transmissão contínua e dificulta o tratamento, que já é mais longo e menos eficaz quando há resistência.
O tratamento padrão para TB não resistente dura cerca de seis meses com quatro drogas de primeira linha, apresentando taxas de sucesso acima de 85%. Medicações resistentes exigem regimes mais longos e com mais fármacos.
Em muitos países europeus, a TB atinge populações vulneráveis, como migrantes, pessoas privadas de liberdade e indivíduos com co-infecção por HIV. A baixa incidência não impede o risco de surto.
Ralf Otto-Knapp, do Comitê Central Alemão contra a Tuberculose, afirma que a queda de números no Oeste pode reduzir a atenção ao tema, dificultando o combate às resistentes.
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