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Família recebe objetos de Tenório Júnior, 50 anos após sumiço na Argentina

Perito entrega aos filhos e netos objetos encontrados com Tenório Jr., morto em 1976, em cerimônia no Rio, 50 anos após o sumiço na Argentina

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  • Nesta quarta-feira, cerimônia no Rio de Janeiro vai entregar aos filhos Francisco, Elisa e Margarida, e aos netos, objetos pessoais encontrados com Tenório Júnior em março de 1976; dois filhos mais novos já morreram.
  • O corpo do pianista foi identificado na Argentina em setembro do ano passado.
  • Os pertences foram identificados pela Equipe Argentina de Antropologia Forense (Eaaf) e serão entregues ao Ministério Público Federal na sede da 2ª Região.
  • Tenório Júnior, então com 35 anos, foi morto a tiros em março de 1976 durante turnê em Buenos Aires, dois dias após seu desaparecimento, em meio à repressão da ditadura argentina e à operação Condor.
  • O ato busca preservar a memória da família e envolver fontes de memória e justiça de transição, com a participação de entidades ligadas a direitos humanos e procuradores.

O pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior, conhecido como Tenório Jr., terá seus pertences entregues aos filhos e netos nesta quarta-feira no Rio de Janeiro. A cerimônia ocorre após a identificação do corpo na Argentina, em setembro do ano passado, e envolve a entrega ocorrendo entre Brasil e Argentina. Os objetos foram encontrados com o músico em março de 1976, durante uma turnê em Buenos Aires.

A entrega será realizada na sede do Ministério Público Federal (MPF) da 2ª Região. Participarão os filhos Francisco, Elisa e Margarida, e os netos. Dois filhos mais novos, João Paulo e Leonardo, já faleceram. A identificação do corpo foi conduzida pela Eaaf, Equipe Argentina de Antropologia Forense, sob coordenação de peritos.

Tenório Jr. tinha 35 anos quando foi morto a tiros e encontrado em Tigre, cidade vizinha a Buenos Aires, dois dias após o seu desaparecimento, em 20 de março de 1976. O episódio ocorreu às vésperas do golpe militar argentino, em 24 de março de 1976, e tornou-se um marco da repressão da época.

Contexto histórico e repercussões

O caso envolve a Operação Condor, rede de coordenação entre ditaduras da região. A cerimônia também marca o desfecho simbólico de uma busca por memória e justiça para famílias afetadas pela violência. A entrega representa, segundo a família, uma memória a mais do pai.

Francisco Tenório Neto, artesão da família, comenta que o ato de devolver os pertences é significativo para manter a memória do pai viva. Para ele, o conteúdo dos objetos carrega lembranças pessoais que ajudam a reconstrução da história familiar.

O evento é organizado pela Comissão de Mortos e Desaparecidos e pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, com apoio de entidades de memória e justiça de transição. Procuradores da República acompanharão a cerimônia, reforçando o caráter documental do ato.

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