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Familiares recebem pertences de pianista morto pela ditadura argentina

Colares pertencentes ao pianista Tenório Júnior são entregues aos familiares no MPF, reforçando o pedido de reparação oficial e a continuidade das buscas por desaparecidos

Homenagem ao músico Tenório Júnior, morto e desaparecido há 50 anos, na Argentina, com a entrega de seus colares a familiares, no Ministério Público Federal (MPF) na 2ª Região.
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  • Objetos pessoais do pianista Tenório Júnior foram entregues a familiares na sede do Ministério Público Federal, no Rio, nesta quarta-feira (25).
  • A Equipe Argentina de Antropologia Forense localizou os restos mortais no ano passado e recuperou dois colares que pertenciam ao músico.
  • A entrega foi feita pelo antropólogo Carlos Somigliana; a certidão de óbito do artista foi emitida no fim do ano passado.
  • A cerimônia ocorreu no dia em que se comemora 50 anos do golpe militar na Argentina; Tenório desapareceu seis dias antes, em 1976.
  • O procurador Ivan Marx diz que buscas por outros desaparecidos seguem, com 14 brasileiros desaparecidos na Argentina e cinco no Chile; há planos de coletar amostras para identificação.

Os pertences pessoais do pianista Tenório Júnior foram entregues nesta quarta-feira (25) aos familiares na sede do Ministério Público Federal (MPF), no Rio de Janeiro. Os objetos foram trazidos pela Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF). Tenório foi morto por militares argentinos em Buenos Aires, em 1976.

A entrega ocorreu durante uma cerimônia organizada pelo MPF. Além dos objetos, a EAAF confirmou a recuperação de dois colares que pertenceram ao músico. Os itens representam a única memória física disponível para a família, segundo a filha Elisa Cerqueira.

O evento coincidiu com o 50º aniversário do golpe militar argentino. Nesta semana, o MPF ressaltou que as buscas por outros desaparecidos seguem em andamento, em especial no âmbito da Operação Condor, que reuniu ditaduras da região para repressão a opositores.

Contexto e desdobramentos

O procurador Ivan Marx, representante do MPF na Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, informou que há 14 brasileiros desaparecidos na Argentina e cinco no Chile. O objetivo é coletar amostras sanguíneas de familiares para ampliar a identificação entre os países.

Segundo o histórico de Tenório, o pianista iniciou carreira aos 15 anos e integrou turnês com grandes nomes da música brasileira. Em 18 de março de 1976, ele deixou o hotel onde estava hospedado em Buenos Aires e nunca mais foi visto, em meio ao golpe que derrubou a ditadura no país.

Documentos de atuação de torturadores argentinos indicam que autoridades enviaram comunicados diplomáticos sobre a morte de Tenório à Embaixada do Brasil. O governo brasileiro não se manifestou publicamente à época nem manteve contato com a família.

Contornos da apuração

A EAAF destacou o papel de organizações de direitos humanos na Argentina, especialmente um grupo de mulheres da Unidade de Direitos Humanos, que reconheceram os colares como pertencentes ao músico desaparecido. A iniciativa contribuiu para o resgate ético da história de Tenório e de outros casos da época.

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