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ONU: escravização de africanos foi o maior crime contra a humanidade

ONU reconhece tráfico transatlântico de africanos como o maior crime contra a humanidade; pede desculpas, reparação e restituição de bens culturais

Brasília (DF), 25/03/2026 - Assembleia Geral da ONU adota resolução para o reconhecimento do tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade”. Foto: ONU/Divulgação
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  • A Assembleia Geral da ONU aprovou resolução que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade.
  • O texto estabelece que os Estados-Membros devem considerar apresentar desculpas pelo tráfico e contribuir para um fundo destinado à reparação.
  • A votação teve 123 votos a favor, incluindo o Brasil; apenas três países se manifestaram contra (Estados Unidos, Israel e Argentina) e houve 52 abstenções.
  • Países do BRICS votaram em peso a favor, entre eles China, Índia, Rússia e África do Sul, com o discurso de enfrentamento dos legados da escravidão como parte do consenso.
  • A resolução também demanda a restituição rápida de bens culturais, artefatos, documentos e arquivos, como passo para reparar injustiças históricas.

A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução nesta quarta-feira, reconhecendo o tráfico transatlânico de africanos escravizados como o crime mais grave contra a humanidade já cometido. A votação ocorreu na sede das Nações Unidas, em Nova York, com apoio maciço de Estados-Membros e voto favorável do Brasil. A medida orienta que países apresentem desculpas oficiais e contribuam para um fundo de reparação.

A resolução destaca continuar enfrentando os legados da escravidão, como desigualdade e racismo, destacando a necessidade de remover barreiras que impedem direitos e oportunidades para pessoas de ascendência africana. O documento ressalta que reconhecer o passado é crucial para construir um futuro mais justo.

Votação e posições

A proposta foi apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, e recebeu 123 votos a favor, incluindo o do Brasil. O texto ficou atento a reparações como um caminho para cura das injustiças históricas. Oposição veio de Estados Unidos, Israel e Argentina.

Ao todo, 52 países abstiveram-se, com participação de nações europeias envolvidas na colonização ou no tráfico de escravos. Entre eles, Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Países Baixos e Bélgica. Também houve abstenções de Japão, Canadá, Austrália e Paraguai, entre outros.

Países do BRICS votaram favoravelmente, somando apoio de China, Índia, Rússia e África do Sul, além de outras nações de diferentes continentes. O resultado consolidou o apoio internacional à iniciativa, conforme a votação observada pela comunidade diplomática.

Reparação, bens culturais e caminhos futuros

A ONU ressalta que o reconhecimento deve avançar para reparações, dignidade e direitos humanos, buscando justiça para africanos e seus descendentes. O texto também solicita a restituição de bens culturais, artefatos, documentos e arquivos nacionais de forma célere.

A presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, enfatizou a necessidade de enfrentar essas injustiças como obrigação moral coletiva. O representante dos EUA, por sua vez, manifestou reservas sobre o alcance de reparações por injustiças históricas, citando aspectos legais da época.

Com informações da ONU News.

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