- A Embrapa iniciou na Etiópia a estruturação da primeira Unidade de Referência Tecnológica Internacional (URTI), com missão técnica localizada em Adis Abeba.
- A iniciativa busca tropicalizar soluções brasileiras e criar um modelo adaptado ao contexto do Leste Africano, com foco em gado de corte e uso multifuncional da pecuária.
- A missão reúne pesquisadores da unidade de Campo Grande (MS) e dialoga com o grupo etíope Kerchanshe para planejar a implantação da URTI.
- A base produtiva será a Oro Meat Farm, onde vão testar melhorias genéticas, nutrição animal, bem-estar e sistemas integrados como ILPF e retenção hídrica.
- O projeto também visa abrir o mercado africano a empresas brasileiras, atuando como vitrine tecnológica e preparando a presença na COP-32, prevista para ocorrer na Etiópia no próximo ano.
A Embrapa está desembarcando na Etiópia para estruturar sua primeira Unidade de Referência Tecnológica Internacional (URTI). A missão técnica, ligada ao setor de Gado de Corte de Campo Grande (MS), chega ao país entre 28 de março e 5 de abril, com foco em adaptabilidade de tecnologias brasileiras ao contexto local.
A iniciativa integra cooperação Sul-Sul e visa transformar soluções tropicais em ativos exportáveis para mercados emergentes. O objetivo é criar um modelo produtivo viável para o Leste Africano, marcado por clima variable e pequenas propriedades rurais, com sistemas agropecuários multifuncionais.
Estrutura e parcerias
A ação envolve a formalização de uma parceria com o grupo etíope Kerchanshe, visando a implantação de uma URTI na região. A estratégia não se limita à transferência de tecnologia, buscando tropicalizar soluções brasileiras para o ambiente etíope e validar resultados com uso eficiente de recursos naturais.
A missão reúne pesquisadores da unidade de Gado de Corte da Embrapa e envolve reuniões institucionais, visitas de campo e o encontro brasileiro de tecnologia agrícola em Adis Abeba, que deverá reunir cerca de 40 organizações. Participam instituições multilaterais e centros de pesquisa locais.
Impacto técnico e econômico
A base experimental será a Oro Meat Farm, para testar soluções de intensificação sustentável da pecuária, incluindo melhoramento genético, biotecnologias reprodutivas e nutrição animal. Serão avaliados também sistemas integrados como ILPF e retenção hídrica.
A escolha dessas frentes reflete a necessidade de aumentar produtividade com uso eficiente de água e solo no Rift Valley etíope. Tecnologias de baixo carbono são vistas como vantagem econômica, não apenas ambiental, com ganhos diretos para produtores.
Oportunidades de mercado
Segundo técnicos da missão, o projeto pode abrir portas para empresas brasileiras em genética, insumos e maquinário no mercado africano. A URTI funcionará como vitrine tecnológica e como instrumento de diplomacia econômica.
Esse movimento faz parte de uma estratégia mais ampla da Embrapa para ampliar presença internacional em regiões tropicais. Espera-se que a COP-32, na Etiópia, sirva como palco para apresentar os resultados da iniciativa.
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