- O embaixador do Japão, Yasushi Noguchi, afirmou que a relação com o Brasil está em expansão econômica, baseada na busca japonesa por segurança econômica e maior resiliência das cadeias de suprimentos.
- O Brasil é visto como estratégico por combinar estabilidade democrática e abundância de recursos naturais, fortalecendo a parceria entre os dois países.
- Avanços ocorreram em duas frentes: exploração de minerais críticos do Brasil pelo Japão e a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira.
- Em 12 de março de 2026, a organização japonesa JOGMEC assinou memorando com o governo de Goiás para cooperação na exploração de terras raras e lítio, com transferência de tecnologia e formação de mão de obra.
- O Japão realiza, neste mês, auditoria técnica para avaliar o sistema sanitário brasileiro para carne bovina, com visitas a Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; decisão sobre abertura ainda não tem prazo.
- Também há interesse em aprofundar relações com o Mercosul, ampliar investimentos e comércio, além de cooperação em energia com uso de etanol brasileiro em motores híbridos flex, como parte de estratégias de descarbonização.
A relação entre Japão e Brasil vive um momento de expansão econômica, com foco na segurança econômica e na resiliência das cadeias de suprimentos. O embaixador japonês no Brasil, Yasushi Noguchi, afirmou em entrevista que o Brasil ganha relevância por combinar estabilidade democrática e abundância de recursos naturais. O objetivo é ampliar a cooperação em minerais críticos e na carne bovina.
O movimento ocorre em meio à reorganização das cadeias globais, pressionadas por tensões recentes no setor energético e comercial. O Japão busca reduzir a dependência de poucos fornecedores em setores estratégicos, mantendo parcerias diretas com produtores variados.
Noguchi apontou dois pilares da parceria: a exploração de minerais críticos no Brasil e a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira. A conversa foi concedida ao Poder360, com divulgação de um material de 20 minutos.
Terras raras e transição energética
A cadeia de terras raras é concentrada, com a China dominando produção e processamento. Esses minerais são estratégicos para chips, baterias, veículos e defesa. O Brasil é visto como parceiro relevante para diversificar fornecimentos de terras raras e lítio.
Em março de 2026, a JOGMEC, agência japonesa de segurança de recursos, assinou memorando com o governo de Goiás para cooperação na exploração. A mudança integra a estratégia de diversificação por meio de parcerias diretas com produtores.
O embaixador citou três motivos para o interesse japonês: uso em semicondutores, baterias e turbinas, metas de neutralidade de carbono até 2050 e garantia de abastecimento estável no longo prazo.
Carne bovina brasileira
Neste mês, o Japão realiza uma auditoria técnica para avaliar o sistema sanitário brasileiro, etapa necessária para eventual abertura do mercado. A missão terá atuação nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com análise pelo Comitê de Saúde Animal japonês.
O Japão é um dos maiores importadores de carne bovina, com fornecedores consolidados como Estados Unidos e Austrália. A abertura brasileira ampliaria opções importadoras e reduziria riscos de concentração de fornecimento.
Para o Brasil, a entrada no mercado japonês representa acesso a um segmento de alto valor, potencializando exportações e a diversificação de destinos da proteína. Noguchi afirmou que a iniciativa dá continuidade a décadas de cooperação bilateral.
Mercosul, biocombustíveis e energia
O embaixador destacou o interesse japonês em aprofundar relações com o Mercosul, buscando maior fluxo de investimentos e comércio. A colaboração também envolve energia, com avaliação da combinação do etanol brasileiro com tecnologia japonesa de motores híbridos para reduzir emissões.
Essa estratégia busca ampliar a atuação de fora-mercado do etanol, associando produção brasileira a tecnologia japonesa. O objetivo é diversificar fontes de energia e reduzir a dependência de combustíveis fósseis em cenários de volatilidade no petróleo.
Entre na conversa da comunidade