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Suíça monitorou e perseguiu brasileiros contrários à ditadura

Suíça monitorou ativistas brasileiros contrários à ditadura e perseguiu exilados, com relatos de tortura chegando a autoridades e diplomatas

Brasília (DF), 02/04/2026 - Suíça monitorou e perseguiu brasileiros contrários à ditadura no Brasil . Foto: Jean Marc Von der Weid/Arquivo pessoal
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  • Jean Marc Von der Weid, brasileiro-suíço, foi torturado no Brasil entre agosto de mil novecentos e sessenta e nove e janeiro de mil novecentos e setenta e um, e integrou o grupo de setenta presos libertados em troca do embaixador suíço Bucher.
  • Ele descreveu métodos como pau de arara, choques, tortura hidráulica e queimaduras, e participou de atividades para denunciar as violações na ditadura.
  • Documentos da polícia suíça de 1971 mostram monitoramento de ativistas brasileiros no país e a transcrição de palestras sobre a tortura no Brasil.
  • Relatórios diplomáticos de 1973 indicam que a Suíça tinha conhecimento das violações brasileiras e mantinha relações próximas com o regime, enquanto perseguia ativistas.
  • Ativistas como Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor foram expulsos da Suíça sob alegação de quebra de neutralidade; o Ministério das Relações Exteriores brasileiro comemorou as expulsões.

Entre 1969 e 1971, envolve-se a Suíça no monitoramento de ativistas brasileiros contrários à ditadura militar no Brasil. Um dos casos mais emblemáticos envolve Jean Marc Von der Weid, técnico de origem brasileira com dupla nacionalidade, exilado na Europa. Ele descreveu as sessões de tortura que testemunhou no Brasil durante o período.

Von der Weid foi libertado em meio ao maior resgate diplomático envolvendo um embaixador no país: a troca pela libertação do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. No total, 70 presos políticos foram libertados nesse acordo. O relato do exilado veio à tona em entrevista à RTS, empresa pública de rádio e TV da Suíça.

Jean Marc denunciou detalhes de tortura, como o pau de arara, tortura hidráulica e choques. Segundo ele, as técnicas eram usadas nos porões da ditadura para extrair informações e calar opositores.

Monitoramento e saberes do governo suíço

Gaelle Schlier, pesquisadora da Universidade de Lausanne, afirma que a polícia suíça monitorava ativamente ativistas brasileiros. Ela teve acesso a relatórios que comprovam vigilância sistemática durante o período.

Um documento de 9 de março de 1971, com 36 páginas, descreve palestras de ativistas na conferência Brasil, a democratização da tortura. O relatório cita Jean Marc e reproduz trechos de seus dizeres.

O relatório também aponta que organizações brasileiras foram usadas para justificar o encontro, com cartazes citando números de presos e mensagens a favor da continuidade da repressão. Nomes de empresas suíças que lucravam com a proximidade com o regime aparecem no material.

Vigilância e interesses econômicos

Gaelle aponta que a atuação de ativistas distintos da Suíça contraria interesses empresariais locais que buscavam divulgar o Brasil por meio de jornadas culturais e econômicas. Roberto Campos, ex-ministro brasileiro, participou de palestras no país.

Outra pesquisadora, Gabriella Lima, acrescenta que esse tipo de mobilização poderia impactar a opinião pública suíça, possivelmente abrindo espaço para boicotes, como ocorreu em outros contextos históricos.

Documentos oficiais e cumplicidades

Relatórios diplomáticos suíços indicam que o governo da Suíça tinha conhecimento da violência policial no Brasil. Um documento de outubro de 1973 descreve métodos de tortura empregados por unidades do exército e pela Dops.

O material alerta que a violência contra opositores já era de conhecimento das altas esferas brasileiras, o que sugere uma relação de cooperação entre os governos quanto à manutenção de padrões de direitos humanos.

Expulsões de exilados e consequências diplomáticas

Apesar da dupla nacionalidade de Jean Marc, outros exilados não obtiveram o mesmo tratamento. Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor foram expulsos da Suíça, com cassação de vistos. O Estado suíço justificou a decisão pela suposta quebra da neutralidade.

Documento do MRE brasileiro, de novembro de 1970, celebra a expulsão como resultado das relações econômicas entre os dois países. A embaixada suíça informou que uma análise mais profunda exigiria estudos históricos.

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