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Desmatamento ligado ao chocolate de Páscoa pode impactar o ambiente

Deflorestação na produção de cacau na África Ocidental alimenta demanda do Reino Unido, com mais de dois mil hectares em 2025; falta regulamentação eficaz

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  • Em 2025, as importações de cacau pelo Reino Unido contribuíram para mais de 2 mil hectares de desmatamento na África Ocidental.
  • A maior parte desse desmatamento está associada à Côte d’Ivoire (78%) e à Gana (18%), grandes produtores de cacau.
  • O desmate ligado ao cacau desde 2021 já soma mais de 8.200 hectares, o equivalente a 11.500 campos de futebol.
  • A regulamentação de due diligence prevista pela Environment Act ainda não foi implementada; não há cronograma definido pelo governo.
  • Grupos pedem alinhamento com a Regulação da UE sobre desmatamento (EUDR) e mais clareza regulatória para cadeias de suprimento sustentáveis; algumas empresas já buscam conformidade.

O Reino Unido continua a importar cacau que, segundo um relatório exclusivo, contribui para o desmatamento na África Ocidental. Em 2025, as importações de cacau britânicas teriam causado mais de 2 mil hectares de desmatamento, aponta a análise da ONG Global Witness.

O estudo cruza dados da FAO, de desmatamento driven por commodities e de importações diretas do Reino Unido, utilizando dados alfandegários. A maior parte do desmatamento ligado ao cacau ocorreu em Costa do Marfim (78%) e Gana (18%), principais produtores.

Cenário regulatório e atores envolvidos

Desde a aprovação do Environment Act, em 2021, o Reino Unido não implementou plenamente regras para punir desmatamento ilegal na cadeia de suprimentos, segundo o relatório. O governo não definiu prazos para as novas regulamentações.

Na prática, a Coalizão de Cacau do Reino Unido reúne grandes empresas, redes de varejo e ONGs para pressionar o governo a regulamentar commodities de risco de desmatamento e esclarecer as regras para a indústria.

Contexto internacional e impactos

O desmatamento ligado ao cacau é historicamente significativo na região, com Ghana e Costa do Marfim registrando perdas extensas de cobertura florestal desde 1950. A divulgação aponta que o Reino Unido é o terceiro maior importador mundial de chocolates, com cerca de US$ 3,6 bilhões em 2024.

Além do cacau, outros produtos como óleo de palma, soja, carne, café e borracha também aparecem na lista de importações com impactos florestais. O relatório estima que, de novembro de 2021 a dezembro de 2025, a exposição total do Reino Unido a desmatamento nessas importações superou 52 mil hectares.

Ações e perspectivas de regulamentação

Especialistas destacam a necessidade de tentar alinhar as regras do Reino Unido com a Regulamentação Europeia de Deforestation (EUDR), diante de atrasos e debates no Parlamento. Grupos empresariais já buscam clareza regulatória para facilitar operações e evitar bloqueios de cadeia.

Apoiadores do pacto defendem que uma regulação eficaz protegeria reservas florestais, fortalecendo a resiliência das cadeias de cacau e contribuindo para metas climáticas. Em Ghana, organizações locais destacam impactos positivos caso medidas sejam implementadas.

Cenário local e declarações oficiais

Defra, órgão britânico, afirmou que revisa a abordagem para enfrentar o desmatamento ligado ao comércio, com planos de divulgar a estratégia futura assim que possível. Parlamentares e partes interessadas pedem celeridade e clareza sobre o caminho regulatório.

O debate atual envolve equilíbrio entre o panorama regulatório, o contexto internacional e a urgência de ações para reduzir impactos ambientais e de direitos humanos nas regiões produtoras. A expectativa é por avanços concretos nos próximos meses.

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