- Desde abril de 2023, a guerra entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Suporte Rápido (RSF) gerou violência, deslocamento em larga escala e colapso de serviços básicos no Sudão.
- Cristãos sudaneses, que representam cerca de 4% da população, enfrentam riscos agravados, com ataques a igrejas, prisões de líderes religiosos e restrições a celebrações.
- A SAF controla grande parte do Norte e do Leste, incluindo Cartum resgatado no início de 2025, enquanto as RSF domina Darfur e áreas de Kordofan.
- As consequências humanas são graves: mais de 150 mil mortos, cerca de 10 milhões de deslocados internos e 4,4 milhões de refugiados; acesso a ajuda humanitária é dificultado por violência e bloqueios.
- A Portas Abertas atua no socorro emergencial de cristãos perseguidos, com alimentos, itens de higiene e apoio a famílias deslocadas; já atendeu 12.221 pedidos desde 2023.
O conflito no Sudão, que desde abril de 2023 oppõe as Forças Armadas Sudanesas (SAF) às Forças de Suporte Rápido (RSF), mergulha o país em violência, deslocamentos em massa e colapso de serviços básicos. O embate começou após tensões entre as duas forças, aprofundando-se pela disputa de poder e reformas no setor de segurança. As ações rifam a população civil, com destaque para a comunidade cristã, historicamente minoritária e alvo de discriminação.
A escalada do confronto compromete infraestruturas essenciais e dificultou o acesso de ajuda humanitária. Organizações humanitárias enfrentam restrições, saques e ataques a trabalhadores. No contexto, cristãos sudaneses enfrentam riscos ainda maiores, levando a ações de proteção e assistência mundial.
Quem está em guerra
As SAF desejam manter o Exército como principal instituição de poder e buscam dissolver ou incorporar plenamente as RSF. Elas controlam grande parte do Norte e do Leste, incluindo Port Sudan, e retomaram Cartum no início de 2025, ainda devastada pela violência.
As RSF, originárias da milícia Janjaweed, controlam áreas de Darfur e pontos estratégicos de Kordofan, regiões ricas em recursos naturais. O objetivo é derrotar a SAF e obter domínio total do país.
Consequências da guerra
Estimativas apontam mais de 150 mil mortos e cerca de 10 milhões de deslocados internos. Quase 4,4 milhões de pessoas buscaram refúgio em países vizinhos. O sistema de saúde colapsou, com escassez de água e fome generalizada. A insegurança impede a entrega de ajuda humanitária.
Abarcam também a restrição de acesso a serviços básicos, com saques, ataques a comboios e assassinatos de trabalhadores humanitários.
Como a guerra afeta os cristãos
A população cristã, estimada em 4% da total, enfrenta repressão e perseguição. Igrejas são bombardeadas, vandalizadas ou fechadas à força. Existem prisões, sequestros e ataques contra líderes cristãos. Também há proibição de celebrações religiosas, como o Natal, e violência contra convertidos do islamismo.
O trauma emocional é recorrente entre fiéis e líderes religiosos, com relatos de impactos psicológicos graves e carência de apoio.
Deslocamento, fome e ajuda humanitária
Pastores relatam aumento de desemprego e inflação, com famílias sem perspectivas. Deslocados enfrentam discriminação em áreas de acampamento e dificuldades para acessar abrigos oficiais. Muitos descrevem dificuldades para obter alimentação diária.
Fontes locais destacam exclusões por parte de líderes comunitários, hostilidade entre comunidades e receio de buscar apoio externo devido a tensões religiosas.
Tentativas de paz e desafios
Diversas iniciativas diplomáticas, envolvendo a União Africana e o grupo Quad, tentam pôr fim ao conflito. Ainda sem cessar-fogo duradouro, líderes comunitários e religiosos continuam atuando na mediação local, porém fora dos processos formais de paz.
Como a Portas Abertas atua no Sudão
A organização oferece ajuda emergencial a cristãos, com alimentos, kits de higiene e apoio a famílias deslocadas. Desde 2023, milhares de pedidos de ajuda foram atendidos por parceiros locais. Além disso, mobiliza a comunidade internacional para pressionar pelo fim da violência por meio de campanhas de oração.
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