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Projetos geotérmicos na Indonésia paralisados por preocupações indígenas

Projetos geotérmicos em Flores permanecem suspensos por resistência Manggarai e ausência de consentimento livre, prévio e informado (CLPI), mantendo exploração pausada em 2025

Villagers opposing geothermal development report dozens of confrontations, including a 2024 incident in which protesters and a journalist were beaten and detained by security forces. Image courtesy of Sunspirit Flores/Floresa.co.
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  • A ilha de Flores, no leste da Indonésia, teve projetos geotérmicos suspensos devido a resistência indígena e preocupações com justiça e segurança.
  • Em 2017, até vinte e um sítios geotérmicos foram mapeados na região, com financiamento de bancos internacionais para sediar a transição para energia limpa.
  • Em dezembro de 2023, o Banco Mundial retirou o financiamento para perfurações exploratórias em Wae Seno por não obter consentimento livre, prévio e informado das comunidades, e, em 2024, a KfW recomendou suspender o projeto em Poco Leok.
  • As comunidades Manggarai argumentam que os projetos ameaçam seu ruang hidup — espaço de vida que abrange terras, cultos, enterros, lavouras e vínculos culturais.
  • Embora haja vitórias, as ações geraram confrontos com forças de segurança; em outubro de 2024 houve prisões e regressões, e as atividades de exploração em Wae Sano e Poco Leok permanecem pausadas em 2025.

O projeto de energia geotérmica em Flores, ilha do leste da Indonésia, foi apresentado como modelo de transição para renováveis. Quase uma década depois, as obras estão suspensas devido à resistência local e a preocupações com justiça e segurança.

Identificados em 2017, até 21 sítios geotérmicos chegaram a constar na ilha. O financiamento vinha de financiadores internacionais, como o Banco Mundial e o KfW, com a promessa de destacar o país no mapa de energia limpa.

A resistência recai sobre as comunidades Manggarai, em especial os bairros de Wae Sano e Poco Leok. Os moradores argumentam que os projetos ameaçam seu ruang hidup, conceito que abrange propriedade, economia, cultura e locais sagrados.

Os grupos indicam que o processo decisório foi vago e sem o consentimento livre, prévio e informado, o FPIC. Em 2023, o Banco Mundial retirou financiamentos de perfurações exploratórias em Wae Seno por essa razão.

Em 2024, o KfW também sugeriu a suspensão do projeto em Poco Leok, citando falhas semelhantes na obtenção de consentimento das comunidades. Mesmo com avanços legais, a empreitada permanece paralisada.

As autoridades apontam que a resistência não impede a transição energética, mas exige melhoria na participação das comunidades. Ciência social e pesquisadores destacam o papel do adat na formação da oposição.

A reportagem aponta ainda que confrontos com forças de segurança têm sido citados como custo dessa disputa. Em outubro de 2024, moradores foram agredidos durante protesto contra obras de estradas, e um jornalista foi detido e agredido.

Estudos indicam um padrão de “extrativismo verde”, em que riscos são externalizados e lucros se concentram de forma privada. Pesquisadores dizem que esse modelo ocorre em várias iniciativas de desenvolvimento na região.

Atualmente, as atividades de exploração geotérmica em Wae Sano e Poco Leok permanecem em pausa, sem confirmação de cancelamento oficial até 2025. As futuras decisões dependerão do equilíbrio entre desenvolvimento e direitos das comunidades.

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