- O professor Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense, afirma que a reabertura do Estreito de Ormuz é crucial para os interesses dos Estados Unidos e de Donald Trump.
- Segundo ele, aliados do Golfo prometeram investir mais de 3 trilhões de dólares nos EUA nos próximos dez anos, em troca de garantias de segurança relacionadas à reabertura do estreito.
- O estreito é fundamental para o escoamento da produção de petróleo da região, embora a Arábia Saudita possa enviar parte de sua produção pelo Mar Vermelho.
- Trump deu um ultimato de 48 horas ao Irã para negociar ou reabrir Ormuz, com ameaças de atacar infraestrutura civil iraniana, incluindo usinas de dessalinização, redes elétricas e a ilha de Kharg.
- Mesmo com ataques, o Irã poderia manter o bloqueio usando minas navais e drones, o que complica a abertura do estreito e o cumprimento dos compromissos com os aliados.
O Estreito de Ormuz volta a ganhar destaque internacional devido a pressões para sua reabertura. A análise partiu de uma entrevista com o professor Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense, ao programa Agora CNN. Segundo o especialista, a reabertura é vista como condição essencial para cumprir compromissos comerciais com países do Golfo que prometem investimentos significativos nos EUA.
Brustolin afirma que, para o avanço de acordos com Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, o governo dos EUA precisa manter a estabilidade no corredor marítimo. A janela de investimento negociada, de trilhões de dólares ao longo de uma década, seria possível apenas com garantias de segurança proporcionadas por uma relação estratégica com a maior potência militar mundial.
O estreito é considerado vital para o escoamento de petróleo da região. Apesar disso, a Arábia Saudita pode desviar parte de sua produção pelo Mar Vermelho, que enfrenta ameaças de fechamento. Essas nuances elevam a complexidade da decisão de reabrir o canal estratégico entre Golfo e Golfo.
Ultimato ao Irã
O analista menciona que Trump lançou um novo ultimato para o Irã negociar ou render-se pela reabertura de Ormuz, prazo que se aproxima em 48 horas. Entre as ações mencionadas como possibilidade, estariam ataques a infraestrutura civil iraniana e à rede de energia, incluindo usinas de dessalinização.
Brustolin também destaca que o ataque a instalações de petróleo e gás iranianas, como a ilha de Kharg, poderia impactar fortemente a economia do Irã. A avaliação é de que tais medidas econômas poderiam atrasar décadas o processo de recuperação econômica do país.
Por fim, o professor ressalta que mesmo com impactos significativos, o Irã pode manter o bloqueio usando meios de menor escala, como minas navais e drones. A situação demonstra o desafio de Washington em conciliar pressão militar, segurança regional e interesses de aliados do Golfo.
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