- O professor Sidney Leite afirma que o conflito com o Irã mudou de uma guerra de poderio bélico para um embate de estratégias geopolíticas, após o ultimato de Donald Trump para reabrir o Estreito de Ormuz.
- Segundo o analisa, o Irã adotou postura extrema, com jogadas que colocam o regime mais à frente do que os Estados Unidos no momento.
- Leite ressalta que o Irã atua atacando bases americanas e infraestrutura de países aliados, o que gera imobilidade de Israel e de Washington, mesmo com superioridade militar.
- Apenas 12% dos americanos apoiam a guerra, tornando a situação de Trump ainda mais complexa e tornando arriscada uma intervenção terrestre, dada a geografia do Irã.
- No aspecto econômico, o fechamento do Estreito de Ormuz eleva o preço da gasolina nos EUA e pode provocar um novo choque de petróleo; uma saída seria negociar a continuidade do regime iraniano em troca da paralisação do enriquecimento de urânio.
Em entrevista ao Agora CNN, o professor Sidney Leite, da Faculdade Rio Branco, analisou o ultimato do governo dos EUA ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O especialista aponta que o conflito evoluiu de uma disputa de poder militar para um embate de estratégias geopolíticas entre as duas nações.
Leite ressalta que o Irã tem adotado táticas que compensam a inferioridade militar frente aos Estados Unidos, reforçando a percepção de que o regime busca manter a sobrevivência como fator central. Segundo ele, o governo americano encontra poucas opções viáveis para reverter o cenário.
Ainda conforme o professor, o Irã atua de forma a deslocar o eixo de vantagem, parecendo controlar o ritmo das próximas jogadas diante de Washington. A estratégia, afirma, envolve ações que atingem bases americanas e infraestrutura de países aliados na região.
Análise geopolítica
O especialista afirma que a assimetria militar persiste, mas o Irã consegue impor limitações operacionais a Israel e aos EUA. A leitura é de que a superioridade militar dos EUA é contornada por ações estratégicas iranianas, que dificultam respostas rápidas de adversários tradicionais.
Leite observa que o regime iraniano mantém o foco na continuidade de suas próprias ações, mesmo diante de pressões internacionais. O cenário complica a resposta brasileira de apoio a uma intervenção terrestre, dada a geografia do Irã e os riscos da operação.
Impacto econômico
O fechamento eventual do Estreito de Ormuz tende a reduzir o fluxo de petróleo de alta qualidade, elevando o preço da gasolina nos EUA. A projeção é de que o mercado enfrente volatilidade suficiente para causar impactos sistêmicos na economia global.
O analista adverte que estamos próximos de um choque petrolífero de grande escala, comparable aos ocorridos nas décadas de 1970. O efeito pode se refletir no custo do combustível e no estímulo a políticas de curto prazo.
Segundo Leite, o petróleo que transita pelo estreito tem relevância econômica elevada, o que potencializa a pressão sobre o preço do barril. Para o curto prazo, o professor aponta que não há soluções simples para mitigar as consequências do fechamento, a menos que haja acordo entre Washington e Teerã.
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