- Pesquisadores alertam que o Fidesz e seus aliados estão contornando a proibição de anúncios políticos no Meta antes das eleições na Hungria, marcadas para 12 de abril.
- A medida adotada pela Meta em outubro, banindo anúncios políticos nas plataformas, não cessou a veiculação de conteúdo pago com mensagem política, muitas vezes via organizações ligadas ao governo.
- O think tank Political Capital identificou 457 anúncios políticos entre janeiro e fevereiro, sendo 456 associados a atores do Fidesz e apenas um ligado ao DK; muitos foram classificados como políticos apenas após já terem rodado.
- O grupo National Resistance Movement, ligado ao Fidesz, movimentou mais de € 1,7 milhão em conteúdo promocional no Facebook em 2024; vídeos gerados por IA foram usados para atacar a oposição.
- As investigações apontam falhas nos mecanismos de verificação da Meta, que costuma remover anúncios apenas após a veiculação, apesar de haver registros de remoção em alguns casos após avaliação.
A pesquisa mostra que o partido Fidesz, dirigido por Viktor Orbán, continua a veicular anúncios políticos no Meta, mesmo após a suspensão de propaganda eleitoral nas plataformas Facebook e Instagram. O bloqueio ocorreu em outubro, visando cumprir regras da UE, mas pesquisadores alertam para anúncios ilícitos que alcançam grande alcance, com uso de deepfakes.
Segundo a Hungarian Digital Media Observatory, há risco real de a campanha eleitoral de 2026 ser influenciada por anúncios não autorizados. O estudo cita exemplos de conteúdos pagos que somam centenas de mensagens políticas, com pouca transparência sobre quem financia.
O Meta, dono de Facebook e Instagram, informou ter proibido anúncios políticos, eleitorais e sociais nas plataformas da UE em outubro de 2025 por questões legais. A medida acompanha regras atualizadas da União Europeia sobre transparência e segmentação de publicidade política.
Conteúdo suspeito permanece ativo
Pesquisadores da Political Capital, em Budapeste, identificaram centenas de anúncios vinculados a atores de Fidesz entre janeiro e fevereiro, com 457 anúncios classificados como políticos. Quase todos os itens estavam associados a políticos ou organizações ligadas ao partido.
Entre os anúncios, há casos de páginas proxys affiliadas a Fidesz que difundem mensagens idênticas, com veiculação de conteúdos potencialmente políticos sem rotulagem clara. Em alguns momentos, as peças passaram por filtros internos da plataforma apenas após irem ao ar.
A análise aponta ainda que muitos anúncios foram rotulados como não políticos apenas após a veiculação. Balázs Németh, candidato do partido, liderou a lista de anunciantes com 81 publicações desde janeiro, em sua maioria vídeos locais.
Outra liderança na veiculação ficou com o grupo parlamentar de Fidesz, responsável por 76 anúncios, muitos promovendo o programa televisivo pró-governo The Hour of Truth.
Mudanças de estratégia e resposta da plataforma
Estima-se que Fidesz tenha respondido ao bloqueio com experimentação de formatos que contornam a fiscalização das plataformas. A equipe de pesquisa destacou casos de conteúdos que, embora não identificados de imediato como políticos, tinham mensagens partidárias.
Os pesquisadores apontam que a Meta removeu alguns anúncios após revisões, mas muitas peças já haviam sido veiculadas. A plataforma afirma que não permite anúncios sobre questões sociais, eleições e política na UE, e que atua quando identifica violações.
Especialistas citados pela reportagem ressaltam que o filtro de anúncios do Meta, com dois estágios de checagem, ainda pode deixar conteúdos impróprios passarem antes da remoção. A Meta não divulga detalhes de seus algoritmos de detecção.
Contexto europeu e político
A UE atualizou regras de publicidade política com o objetivo de tornar conteúdos mais transparentes, incluindo quem financiou o anúncio e o público-alvo. Enquanto o Google também limitou anúncios políticos na UE, as mudanças afetam campanhas em vários países.
A cobertura indica que campanhas de partidos de governo podem explorar lacunas entre rotulagem e fiscalização, com uso de organizações ligadas ao poder para ampliar o alcance de mensagens.
Perspectivas para as eleições
As evidências indicam que o ambiente de anúncios políticos no Meta continua sob monitoramento intenso por pesquisadores independentes. A discussão envolve transparência, fiscalização e práticas de publicidade que ainda exigem melhorias para evitar manipulação informacional.
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