- Famílias menonitas de Belize planejam migrar para Suriname para criar grandes comunidades agrícolas em Para, com compra de cerca de 24 mil hectares (aproximadamente 59 mil acres), divididos entre Shipyard e Indian Creek.
- O acordo envolve cifras na casa de milhões, com 250 mil dólares já pagos e total estimado de 1,69 milhão em quatro parcelas; o terreno é gerido por uma empresa ligada a Braganza Marketing Group NV e envolve a Suriname Agriculture New Surland.
- A área pretendida fica em região com alta cobertura florestal; há preocupação com desmatamento de floresta primária, e qualquer manejo exigiria aprovação da Fundação para Gestão e Produção Florestal (SBB).
- Líderes menonitas dizem buscar manter o estilo de vida tradicional e estudar o solo e regulamentos locais, enquanto conservacionistas alertam para impactos potenciais na floresta e em comunidades tradicionais.
- Em Suriname, o governo discute como ampliar produção de alimentos sem comprometer a cobertura florestal, enquanto organizações ambientais destacam histórico de desmatamento associado a assentamentos menonitas em outros países.
Mennonitas de Belize preparam mudança para Suriname com planos de estabelecer grandes comunidades agrícolas em área florestal, segundo diversas fontes. O objetivo é cultivar soja, milho, feijão e sorgo, além de criar gado, alerta a reportagem. A operação poderia envolver milhões de dólares e cobrir área superior à do município norte-americano de Baltimore.
Os migrantes já visitaram Suriname pelo menos seis vezes nos últimos anos para vistoriar milhares de hectares, entender regulações locais e buscar apoio de empresários que trabalham para atrair comunidades menonitas agrícolas da região. O acordo envolve aquisição de terras no distrito de Para.
O principal objetivo é adquirir cerca de 24 mil hectares, com cerca de 14,8 mil para famílias de Shipyard e 9,4 mil para famílias de Indian Creek. A expectativa é chegar em Suriname até o início de 2027, com ondas adicionais de chegada ao longo do tempo.
O terreno avaliado é predominantemente florestal, em área com alto índice de cobertura de mata. Conservacionistas alertam que a expansão pode afetar áreas de floresta primária, dependendo de aprovações ambientais e do histórico de manejo do local.
Para a implementação, as comunidades precisariam de autorização do SBB, órgão responsável pela gestão de florestas em Suriname. Em alguns casos, movimentos de desmatamento avançaram sem a devida autorização formal, conforme relatos da análise consultada pela reportagem.
As negociações envolvem empresas como Braganza Marketing Group NV e Terra Invest Suriname & Guyana. Embora Terra Invest tenha sido citado em documentos anteriores, fontes indicam que a empresa não atua mais na operação atual, e Souverein não comentou o assunto. Braganza afirma apoiar a imigração e o contato com setores público e privado.
Além dos planos de cultivo, os Mennonites teriam estruturado pagamentos parciais como parte de um acordo com uma empresa local, com transferências futuras previstas para uma entidade chamada Agriculture New Surland. O montante total estimado do negócio não foi revelado com precisão.
Críticos locais destacam que Suriname historicamente importa boa parte de sua alimentação e que a floresta cobre grande parte do território. Organizações ambientais já manifestaram preocupação com o potencial impacto sobre o ecossistema e a biodiversidade da região.
A presidência de Suriname não respondeu a pedidos de comentário. Representantes ambientais e autoridades locais continuam avaliando os impactos potenciais, com a expectativa de que novas informações surgirão à medida que o processo avance.
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