- Cerca de 2 mil pessoas participaram de protesto em Caracas, pedindo aumento de salários e pensões; polícia disparou gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes.
- O ato ocorreu perto do palácio presidencial, com confrontos entre manifestantes e policiais montados, em meio a pressão pela reagresso à crise do custo de vida.
- Delcy Rodríguez, presidente interina, anunciou na televisão um aumento salarial a partir de 1º de maio, sem revelar o valor.
- O salário mínimo mensal na Venezuela é de 130 bolívares, equivalente a cerca de € 0,23, ainda muito abaixo da linha de pobreza da ONU.
- A mobilização foi a maior demonstração contra o governo desde agosto de 2024, com a população enfrentando inflação anual acima de seiscentos por cento.
Venezuelanos voltaram a marchar nesta quinta-feira em Caracas reivindicando aumento de salários, pensões e benefícios. Aproximadamente 2.000 pessoas avançaram em direção ao palácio presidencial, quando a polícia utilizou gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes.
Diversas forças de choque com capacetes e escudos tentaram conter a marcha, que percorreu o centro da cidade, a poucos quilômetros do palácio. Os relatos apontam tensão entre manifestantes e autoridades diante da pressão para recompor o custo de vida.
Ontem, Delcy Rodríguez anunciou, em transmissão televisiva, um aumento salarial previsto para 1º de maio, sem revelar o valor. O salário mínimo mensal é de 130 bolívares, equivalente a cerca de €0,23, segundo apuração recente.
Publicidade e salários
Apesar de o governo conceder bônus que elevam salários em setores públicos, a renda ainda fica aquém da necessidade de sustentar a alimentação. Calcula-se que famílias precisem aproximadamente €2,56 por dia para cobrir necessidades básicas, frente a inflação anual acima de 600%.
A agência de notícias local aponta que muitos trabalhadores desejam aumento direto nos valores iniciais, e não apenas nos bônus. A manifestação de hoje marca o maior protesto anti-governo desde agosto de 2024, período em que as críticas foram contidas por ações de repressão.
Contexto político e econômico
Delcy Rodríguez, que substituiu Maduro após sua destituição em janeiro, defende um reajuste salarial considerado responsável, tentando evitar pressões inflacionárias. Washington tem pressões para facilitar determinadas reformas econômicas, incluindo acordos energéticos.
A afluência aos protestos sinaliza uma mudança no clima social, com a população retomando as ruas após anos de contenção. Os eventos de hoje refletem o descontentamento com a trajetória econômica e com a gestão de salários e preços.
Fontes: AP, Reuters, relatos de agências internacionais.
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