- Dois anos após a legalização para uso recreativo na Alemanha, relatório Ekocan aponta queda do mercado ilegal e complexificação do setor medicinal.
- Entre adultos, o consumo no último ano subiu de 8,8% para 9,8% entre 2021 e 2024; entre adolescentes, permaneceu estável ou caiu levemente, com percepção de risco estável.
- A legalização teria reduzido infrações relacionadas à cannabis, mas o crescimento das associações de cultivo não acompanhou as expectativas dos legisladores.
- Mitos de catastrophismo jurídico foram desmentidos por dados, mas parte do governo e opositores conservadores classificam o estudo como fracasso e questionam impactos.
- No âmbito medicinal, a Alemanha importa mais de 200 toneladas, tornando-se o maior mercado legal europeu; o crescimento de vendas em farmácias vem principalmente de plataformas on-line de prescrição, que enfrentam resistência do governo.
A Alemanha completa dois anos desde a legalização da cannabis de uso recreativo. O governo avaliou impactos, destacando queda de mercado ilegal em parte do país e maior complexidade do lado medicinal. O relatório aponta ganhos, mas também desgastes políticos.
Entre adultos, o consumo nos últimos 12 meses subiu levemente de 8,8% para 9,8% entre 2021 e 2024. Nos adolescentes, o pattern permanece estável ou cai. A percepção de risco não aumentou com a legalização, contrariando temores dos opositores.
No âmbito do mercado ilegal, observa-se migração gradual para fontes legais. Pesquisadores defendem que a descriminalização é a mais significativa evolução regulatória na Alemanha, ainda que o avanço não tenha eliminado por completo o mercado paralelo.
Um ponto divergente envolve o uso medicinal. A Alemanha tornou-se o maior importador de cannabis da Europa, com mais de 200 toneladas negociadas. O crescimento do volume em farmácias ficou próximo de 200% desde 2024, impulsionado por plataformas digitais de prescrição.
As plataformas on-line de consulta e entrega ganharam espaço ao facilitar acesso para uso terapêutico, segundo o relatório. Críticas do governo apontam riscos, mas especialistas ressaltam que o sistema pode desburocratizar o atendimento sem exigir laudos rigorosos.
Até outubro de 2025, apenas 366 associações de cultivo estavam aprovadas, atendendo no máximo 3,5% dos consumidores. Pesquisadores defendem maior parceria com plataformas digitais para ampliar o alcance, sem comprometer a qualidade regulatória.
Cenário político permanecesetorizado. Partidos conservadores criticam a regulamentação e questionam efeitos visíveis, ressaltando impactos no mercado ilegal. Ainda assim, houve apoio público significativo à legalização entre eleitores que defendem lojas licenciadas.
Os números do estudo são alvo de debate entre ministérios. Técnicos argumentam que a avaliação ainda depende de mudanças regulatórias futuras, enquanto opositores insistem em revisar a política pela via legislativa. O tema segue em pauta no país.
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