- A equipe dos EUA partiu para Islamabad, Paquistão, para conversações com o Irã neste fim de semana, liderada pelo vice-presidente JD Vance.
- Autoridades da Casa Branca estão céticas quanto à possibilidade de reabrir imediatamente o estreito de Ormuz.
- O Irã condiciona as negociações a acordos sobre o Líbano e a liberação de ativos iranianos bloqueados por sanções.
- Seria a reunião de mais alto nível entre EUA e Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
- O Paquistão atua como mediador, enquanto Israel continua em conflito com o Hezbollah; havia expectativa de cessar-fogo, com negociações a realizar-se nos EUA na próxima semana.
O grupo dos EUA, chefiado pelo vice-presidente JD Vance, seguiu para Islamabad, Paquistão, nesta sexta-feira para uma rodada de negociações com o Irã neste fim de semana. A viagem ocorre em meio a acusações mútuas de violação de compromissos de cessar-fogo temporário e expectativa de que as conversas não reabram de imediato o estreito de Ormuz.
Autoridades da Casa Branca expressaram ceticismo quanto à possibilidade de reabrir, ainda hoje, a passagem marítima estratégica. Do lado iraniano, altos negociadores sinalizaram dúvidas sobre o início das negociações sem acordos sobre o Líbano e sanções.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, defenderam que o cessar-fogo inclua ataques de Israel ao Hezbollah e a liberação de ativos iranianos bloqueados. Esses pontos poderiam influenciar o andamento da reunião de sábado.
As negociações representam a mais alta interlocução entre EUA e Irã desde a Revolução de 1979. Diplomatas relatam que, caso avancem, haveria diferença significativa entre as propostas de Teerã e de Washington, com grandes lacunas a serem fechadas.
Enquanto Vance viaja com Steve Witkoff, enviado especial da Casa Branca, e Jared Kushner, o Paquistão tenta ampliar sua atuação como mediador. O país pretende mostrar-se estável e confiável para futuras intermediações regionais.
O Irã enfrenta impactos do conflito que envolve a região desde fevereiro, que gerou interrupções no estreito de Ormuz e afetou o fornecimento global de petróleo. A guerra elevou receios de inflação e agravou riscos econômicos em várias nações.
Trump já havia anunciado um cessar-fogo estratégico para evitar danos maiores, antes de retornar a Washington para as eleições de meio mandato. A administração sinalizou que manterá pressão para avanços reais nas negociações.
O Irã mantém que qualquer cessar-fogo deve também abordar o Líbano, onde Israel enfrenta o Hezbollah. Autoridades iranianas destacam que a cooperação regional depende de avanços nesses pontos centrais.
Entre as informações registradas, o governo americano indica que poderá exigir a detenção de cidadãos norte-americanos presos no Irã, incluindo figuras como um joalheiro e um jornalista. A possibilidade de retorno de diplomatas e colaboradores também aparece como item a ser discutido.
Especialistas ouvidos comentam que há risco elevado de escalada caso as negociações demorem ou permaneçam sem consenso claro. A missão de Islamabad, porém, busca conferir legitimidade ao papel mediador do Paquistão e manter abertas as vias de diálogo.
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