- A eleição geral no Peru deste domingo tem 35 candidatos à presidência e muitos especialistas veem o resultado como imprevisível, com a possibilidade de segundo turno no dia 7 de junho.
- Os 27 milhões de eleitores vão escolher também o vice-presidente, 130 deputados e 60 senadores, em retorno do Senado após 33 anos, com o sistema bicameral retomado em 2024.
- Keiko Fujimori lidera as pesquisas, com cerca de 15% das intenções de voto, sendo a candidata com mais chances de chegar ao segundo turno; o favorito do segunda rodada ainda é incerto entre os demais concorrentes.
- A disputa ocorre em meio a tensões regionais: a eleição pode influenciar a relação entre China e Estados Unidos na América Latina, especialmente pelo papel do porto de Chancay no comércio peruano.
- O espectro político é fragmentado, com nomes de direita como Rafael López Aliaga e Carlos Álvarez aparecendo bem colocados, e esquerda com vários candidatos recebendo parcelas de apoio, complicando a definição do novo presidente.
Peru vai às urnas com 35 candidatos presidenciais em meio a uma crise política que se estende há anos. O pleito ocorre neste domingo, com a expectativa de que a apuração comece próximo da meia-noite. A eleição definirá o presidente, o vice, além de 130 deputados e 60 senadores para os próximos cinco anos.
O país retorna ao sistema bicameral com o reingresso do Senado, após 33 anos de funcionamento apenas da Câmara. Em 2024, o Congresso retomou o modelo, mesmo com rejeição popular em plebiscito de 2018. Ao todo, 27 milhões de peruanos estão aptos a votar.
Há 35 candidatos na disputa, já que um 36º sofreu um acidente de carro durante a campanha. No momento, Keiko Fujimori lidera as intenções de voto com cerca de 15%, sendo a candidata mais provável de chegar ao segundo turno. O confronto, porém, ainda é incerto.
Quem avançará ao segundo turno, marcado para 7 de Junho, depende de cenários amplamente equilibrados nas pesquisas. Não há até o momento um favorito claro fora de Fujimori, o que mantém a definição dos rumos da corrida como uma incógnita.
Disputa comercial
Analistas avaliam que a eleição peruana impacta a disputa comercial entre China e EUA na região. A atuação política dentro do Peru pode influenciar acordos e fluxos de comércio com o Pacífico, especialmente via o porto de Chancay, segundo especialistas consultados.
A candidata Fujimori sinaliza uma aproximação com os EUA, em contraste com posições que poderiam favorecer alinhamentos mais próximos a outros blocos estratégicos. Esse movimento aparece no contexto de pressões regionais sobre políticas de comércio externo.
Outras candidaturas
Do campo da direita, além de Fujimori, destaca-se Rafael López Aliaga, conhecido como Porky, ex-prefeito de Lima. O candidato recebe comparação com figuras internacionais por combinar discurso conservador com defesa do livre mercado. Outro nome relevante é o humorista Carlos Álvarez, com maior notoriedade nas pesquisas.
Na esquerda, o quadro é fragmentado, com candidaturas em torno de 5% cada. Roberto Sánchez, apoiado pelo ex-presidente Pedro Castillo, soma forças. O Peru Livre inscreveu Vladimir Cerrón, que rompeu com Castillo no início do governo.
Entre os demais candidatos que aparecem entre os favoritos estão Ricardo Belmont, ex-prefeito de Lima, e Alfonso López-Chau, ex-diretor do Banco Central. A dispersão de votos aumenta a dificuldade de prever o segundo turno, segundo analistas.
Contexto político
A eleição ocorre em meio a uma sequência de instabilidade que levou Castillo a ser afastado e preso, após tentativa de dissolver o Parlamento. Dina Boluarte assumiu em seguida, com ações de repressão a protestos que deixaram dezenas de mortos, segundo organizações de direitos humanos.
A julgar pela atual configuração, o panorama político peruano permanece aberto, com resultados que podem alterar o equilíbrio entre instituições e governabilidade. A apuração segue sob observação internacional enquanto o país escolhe o seu próximo ocupante do Palácio de Grieco.
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