- Donald Trump publicou críticas diretas ao papa Leão XIV nas redes sociais, chamando o pontífice de fraco no combate ao crime e péssimo em política externa, citando falas sobre operações militares dos EUA.
- O presidente afirmou não querer um papa que aceite Iran com armas nucleares e não quer um líder que critique ataques dos EUA à Venezuela, sugerindo que Leão XIV foi eleito por ser americano.
- Leão XIV disse à Reuters que continuará se manifestando contra a guerra, buscando paz, diálogo e relações multilaterais, sem entrar em debate com Trump.
- O Vaticano reagiu às críticas, com o subsecretário Antonio Spadaro dizendo que Trump ataca uma voz moral e não consegue dominá-la, pois o papa não se rende à linguagem da força.
- O atrito já teve outras fases, como críticas do papa à política de imigração de Trump e pedidos de fim da violência após a captura de Nicolás Maduro, destacando direitos humanos e Estado de direito.
Donald Trump abriu uma troca de acusações com o papa Leão XIV nas redes sociais, ao criticar diretamente o líder católico e citar falas atribuídas ao pontífice sobre operações militares dos EUA. O papa respondeu mantendo a posição de oposição a guerras e prometendo continuar defendendo a paz.
A discussão entre as duas figuras públicas não é nova. Em 2025, o papa já havia criticado a forma como os EUA lidam com imigrantes, tema que também foi alvo de um confronto público entre eles nos últimos meses. O pontífice é visto como interlocutor crítico de políticas de segurança e imigração promovidas pela administração norte‑americana.
Na noite de domingo, Trump publicou mensagens criticando Leão XIV, afirmando que o papa é fraco no combate ao crime e inadequado em política externa. O republicano reforçou críticas a ações militares envolvendo Irã e Venezuela, sem oferecer provas detalhadas para sustentar as alegações.
Um dos pontos de atrito envolve a posição do Vaticano sobre o Irã e a guerra. Trump disse não querer um papa que considere aceitável o Irã possuir armas nucleares, reforçando a postura do governo americano de justificar medidas contra o Irã. Também citou supostas divergências sobre ações contra a Venezuela.
O papa Leão XIV rebateu as críticas, afirmando à agência Reuters que continuará a se manifestar contra a guerra e que não busca entrar em debate. Ele ressaltou que a mensagem do Evangelho não deve ser deturpada e destacou o objetivo de promover paz, diálogo e relações multilaterais entre os Estados.
Em discurso na Argélia, o pontífice pediu que líderes construam uma sociedade baseada na justiça e na solidariedade, destacando a urgência diante de violações do direito internacional e de tendências neocoloniais. O Vaticano acompanhou o episódio com mensagens oficiais sobre a preservação da voz moral do papa.
A reação vaticana incluiu posicionamento de Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação, que afirmou que Trump ataca uma voz que não pode ser domada pela linguagem da força. Ele destacou que o papa representa uma linha que não se rende a pressões políticas.
Veja também o histórico do atrito entre as partes. O papa já criticou políticas de imigração de Trump, questionando a coerência entre propostas pró‑vida e tratamento dispensado a imigrantes. Em outras ocasiões, Leão XIV pediu respeito aos direitos humanos e ao Estado de Direito na Venezuela.
Além disso, Leão XIV tem reiterado pedidos de fim da violência em guerras pelo mundo, incluindo a Ucrânia e o Sudão. Após a captura de Nicolás Maduro, o papa enfatizou a importância do diálogo, da justiça e da soberania venezuelana, sem justificar intervenção militar.
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