- Péter Magyar, esperado como próximo primeiro‑ministro da Hungria, venceu as eleições de 12 de abril e promete reduzir a dependência de energia russa até 2035.
- Ele busca alinhar a Hungria aos esforços da UE para diversificar o abastecimento de petróleo e gás, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
- Magyar também mencionou reavaliar o financiamento do projeto nuclear Paks II e explorar aceleramento de usinas modulares com parceiros como França e Estados Unidos.
- A Hungria depende atualmente de petróleo russo, importando cerca de 100 mil barris por dia em 2025, o que representa aproximadamente 90% do seu suprimento, segundo analistas.
- A viabilidade de substituir o petróleo russo envolve infraestrutura e rotas alternativas, como o oleoduto Adria (Janaf), além de questões em torno do oleoduto Druzhba, com danos em andamento e incertezas sobre o restabelecimento.
Péter Magyar, visto como futuro primeiro-ministro da Hungria, venceu as eleições gerais em 12 de abril, derrotando Viktor Orbán após 16 anos no poder. A vitória acentuou a possibilidade de uma guinada nas relações energéticas com a Rússia. Magyar prometeu reduzir a dependência energética húngara até 2035 e alinhar o país a esforços da UE para diversificar suprimentos de petróleo e gás.
O pleito ocorre em meio a debates sobre a transição energética na região, com a UE buscando reduzir o uso de energia russa desde a invasão da Ucrânia. Magyar afirmou que, embora a diversificação seja necessária, não haverá mudança imediata na exposição geográfica de Hungria. O político também sinalizou rever o financiamento do projeto nuclear Paks II, desenvolvido com a Rússia, e explorar módulos nucleares mais baratos em parceria com França e EUA.
Magyar assume em meio a um histórico de atuação de Orbán, que manteve vínculos fortes com Moscou. A Hungria importou aproximadamente 100 mil barris por dia de petróleo russo em 2025, representando cerca de 90% do abastecimento, segundo analistas da S&P Global Energy CERA. A mudança depende de investimentos de longo prazo em infraestrutura e de rotas alternativas.
Investimento e infraestrutura
Analistas ressaltam que a substituição do petróleo russo não é imediata. Dimitar Lilkov, do Wilfried Martens Centre, indica que a Hungria tem acesso a rotas alternativas, como o gasoduto Adria (Janaf) criado para viabilizar importações de petróleo não russo, potencialmente com custos de trânsito mais baixos.
A opção por gas natural também pode favorecer a diversificação, segundo Lilkov. Ele afirma que a combinação de vontade política nos próximos anos torna a transição plausível, ainda que exija planejamento e cooperação com parceiros europeus.
Croácia celebra o Adria como rota estável de segurança energética regional. Ante Šušnjar, ministro croata, reforçou que a infraestrutura local fortalece resiliência e diversificação, destacando o desejo de cooperação entre Hungria e Croácia em tempos de incerteza.
Exceções a importações russas
Hungria e a Eslováquia obtêm isenções para importar petróleo russo por gasoduto até setembro de 2027, devido à geografia sem saída e ao acesso dificultado a fornecedores alternativos. A UE busca eliminar gradualmente essas isenções até 2027, com a completa proibição do gás russo prevista para setembro de 2027.
Ainda não está claro se Magyar contestará esse posicionamento, dada a geografia sem saída da Hungria e as restrições energéticas agravadas pela crise regional. A Comissão da UE chegou a propor proibição de importação de petróleo russo em 15 de abril, mas adiou a medida devido à crise energética global e a disputas sobre o gasoduto Druzhba.
Druzhba e o dilema logístico
A Hungria, dependente de oleodutos de origem soviética, utiliza Druzhba e TurkStream para abastecimento vindo do leste. A Druzhba, que passa por território ucraniano, sofreu danos desde 27 de janeiro, alvo de controvérsias entre Ucrânia, Rússia e Hungria. A Ucrânia aponta agressões atribuídas à Rússia; Moscou nega.
Enquanto o Druzhba permanece interrompido, a Hungria busca importações russas por via marítima através da Croácia, com avaliação pendente junto ao operador do gasoduto. Casos envolvendo a Druzhba geraram posição de aliados, como a Eslováquia, que defende a rápida retomada do fluxo.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse em abril que a Druzhba seria reparada e estaria funcionando nesta primavera, enquanto o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico reiterou o interesse de Hungria, Eslováquia e a região em restabelecer o pipeline.
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