- O Pavilhão da Somália na Bienal de Veneza de 2026 gerou controvérsia antes da abertura, com espaços de arte somali denunciando a falta de consulta a artistas locais.
- Quatro espaços de arte somali (Somali Arts Foundation, Arlo Artspace, Shaneema Banaadir e Baciid Center) criticaram o projeto por não incluir artistas radicados no país.
- Os três artistas apresentados — Ayan Farah, Asmaa Jama e Warsan Shire — têm vínculos com a Somália, mas trabalham fora do país; Farah e Jama nasceram na Somália, Shire é de ascendência somali e nasceu no Quênia.
- O pavilhão, intitulado SADDEXLEEY, tem curadoria de Mohamed Mire e Fabio Scrivanti, com Abdirahman Yusuf como comissário. O texto de crítica descreve o espaço como uma “oportunidade privada” com financiamento questionável.
- Uma artista, Ladan Osman, recusou o convite ao pavilhão, citando falhas na inclusão de curadores e artistas somalis, além de críticas relacionadas a decisões políticas da Bienal.
A inaugurada Pavilhão Somali na Bienal de Veneza de 2026 gerou controvérsia antes da abertura, com artistas locais afirmando que a equipe organizadora não consultou nem incluiu representantes da cena artística da Somália. O pavilhão, intitulado SADDEXLEEY, reúne artistas com vínculos somalis e está sob curadoria de Mohamed Mire e Fabio Scrivanti, com Abdirahman Yusuf como comissário.
Segundo uma declaração divulgada por quatro espaços de arte somalis, o Somali Arts Foundation, Arlo Artspace, Shaneema Banaadir e Baciid Center, a participação não representa o país. Os artistas listados no pavilhão, Ayan Farah, Asmaa Jama e Warsan Shire, têm ligações com a Somália, porém atuam no exterior.
Farah está baseada em Estocolmo, Jama em Bristol e Shire em Londres. Farah e Jama nasceram na Somália; Shire é de ascendência somali e nasceu no Quênia. A crítica aponta que a seleção falhou em dar voz a curadores, artistas e produtores culturais situados na Somália.
O grupo signatário descreve o pavilhão como uma oportunidade privada e questiona o financiamento do projeto. Alega que o movimento artístico somali tem se mantido vivo com recursos limitados e sem apoio governamental significativo, o que torna a exclusão de representantes locais ainda mais problemática.
Entre os apoiadores da crítica estão nove artistas baseados na Somália, incluindo poetas, fotógrafos e escritores. O movimento de resposta ressaltou que a cena cultural somali enfrenta dificuldades estruturais, com poucas estruturas institucionais ativas.
Uma artista individual informou ter recusado o convite para participar. Ladan Osman, poetisa e cineasta nascida na Somália e instalada em Nova York, manifestou a decisão de não entrar no projeto, citando falhas no engajamento com curadores e produtores locais e preocupações com a condução da curadoria.
Osmen também mencionou críticas ao papel de instituições e à gestão da Bienal, incluindo controvérsias envolvendo outras representações nacionais. A diretoria da Bienal reiterou que não pode expulsar países reconhecidos como nações pelo governo italiano, mantendo uma linha institucional neutra.
O debate sobre a participação somali na Bienal remete a controvérsias anteriores envolvendo pavilhões africanos, em especial casos em que curadorias externas não teriam envolvido a cena local. Em 2022, a participação da Namíbia gerou críticas semelhantes, levando a mudanças no próprio projeto.
O pavilhão Somali conta com apoio governamental, que descreveu a presença internacional como indicativa de maior visibilidade da Somália. A Secretaria de Cultura do país salientou o fortalecimento da presença somali em palcos globais por meio de iniciativas como a Bienal de Veneza.
Correção publicada em 14/04/26: a declaração sobre o pavilhão foi emitida por quatro espaços de arte somalis, não apenas pela Fundação Somali Arts.
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