- Brasil e Paraguai trabalham na revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu para reduzir a tarifa de energia a partir de 2027, conforme afirmado pelo diretor-geral brasileiro Enio Verri.
- A expectativa é anunciar a tarifa para o ano seguinte até dezembro, mantendo Itaipu como uma das menores tarifas do país.
- Em 2024 foi assinada ata definindo a tarifa considerando apenas custos operacionais, entre US$ 10 e US$ 12 por kW/mês; hoje a tarifa brasileira é de US$ 17,66 por kW/mês, sustentada por aporte de US$ 285 milhões.
- A estrutura atual, válida até dezembro, será substituída por uma nova modelagem tarifária após negociações entre Brasil e Paraguai, que envolve altos cargos dos dois países e precisa de aprovação parlamentar.
- A Itaipu estuda, ainda, ampliar a geração com até duas novas turbinas e está promovendo uma atualização tecnológica que deve ocorrer até 2035, com investimentos estimados em US$ 900 milhões.
O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, afirmou que há avanço nas negociações do Anexo C do tratado entre Brasil e Paraguai, visando reduzir a tarifa a partir de 2027. A declaração ocorreu na sede da Itaipu, em Foz do Iguaçu, na segunda-feira (13).
Verri destacou que a meta é apresentar a nova modelagem tarifária até dezembro deste ano, com a tarifa para o próximo ano, ou para os anos seguintes. Ele garantiu que, a partir de 2027, a Itaipu pode ter a menor tarifa do país, dependendo do acordo entre as partes.
A estrutura tarifária atual considera apenas custos operacionais para a base de referência de Itaipu, com expectativa de queda para a tarifa comercializada pelo lado brasileiro. Em 2024, foi assinada ata que namora esse ajuste, mantendo a tarifa entre US$ 10 e US$ 12 por kW/mês.
Contexto da tarifa e números atuais
O Cuse (Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade) de Itaipu para 2024-2026 ficou em US$ 19,28 por kW/mês, aprovado pelo Conselho de Administração. A tarifa brasileira efetiva é de US$ 17,66 por kW/mês, viabilizada por aporte de US$ 285 milhões para manter a modicidade.
Essa configuração vigora por acordo temporário até dezembro, quando Brasil e Paraguai definem a nova modelagem. A tarifa repassa o custo às distribuidoras cotistas para aquisição de energia da usina.
A Itaipu é gerida por uma diretoria com seis diretores de cada país, que devem concordar por consenso. O tema envolve chanceleres e ministros de Minas e Energia, com aprovação final nos parlamentos dos dois países.
Papel estratégico da Itaipu
A usina tem 20 unidades geradoras de 700 MW cada, totalizando 14 mil MW de potência instalada. Responde por cerca de 8% da energia consumida no Brasil e 78% no Paraguai, sendo uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo.
No Paraguai, há interesse em manter receita da Itaipu para financiar seu desenvolvimento, enquanto o Brasil busca energia mais barata para consumo doméstico e industrial. A negociação busca equilíbrio entre essas perspectivas.
Atualização tecnológica e projeção futura
A Itaipu iniciou, em 2022, um plano de atualização tecnológica com previsão de 14 anos e investimento estimado em US$ 900 milhões, com conclusão prevista para 2035. O foco está em eletrônicos, sistemas de controle e modernização de centros de operação.
O projeto não abrange turbinas e a barragem, que estão em condições adequadas, mas prevê possível aumento de geração com até duas novas turbinas, sujeito a estudos de impacto socioambiental e econômico.
A diretoria brasileira sinalizou que, mesmo com melhoria tecnológica, a distribuição de custos e receitas continuará sendo assunto central nas próximas rodadas de negociação entre Brasil e Paraguai.
Entre na conversa da comunidade