- Relatório da organização CSW aponta aumento da repressão à liberdade religiosa na Nicarágua em 2025, com 309 violações registradas, sendo 200 contra católicos e 108 contra cristãos protestantes (inclui adventistas).
- Governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo intensificou o controle sobre líderes religiosos, com 36 líderes sob “medidas cautelares” — mais de três vezes o ano anterior — envolvendo comparecimento semanal a delegacias e necessidade de autorização para deslocamentos.
- Ameaças e assédio ocorreram em 228 dos casos, atribuídas a agentes do governo, apoiadores e grupos paramilitares; revogação de status legal de entidades civis atinge também organizações religiosas (pelo menos 18 em 2025).
- Exemplos incluem o cancelamento do registro da Associação de Batistas Fundamentalistas Independentes em fevereiro de 2025; várias escolas, veículos de comunicação religiosos e organizações beneficentes também foram afetados.
- Ocorreram expulsões de freiras e detenções arbitrárias de líderes religiosos ao longo do ano, além de restrições a ordenações, circulação de materiais religiosos e interrupção de cultos; a presença da igreja em protestos de 2018 destaca tensões existentes.
Um relatório da organização Christian Solidarity Worldwide (CSW) aponta repressão ampliada à liberdade religiosa na Nicarágua ao longo de 2025. Houve 309 violações registradas, sendo 200 envolvendo católicos e 108 ligados a cristãos protestantes, incluindo adventistas.
A CSW mostra que o governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo intensificou o controle sobre líderes religiosos. Ao longo do ano, 36 líderes receberam “medidas cautelares”, mais de três vezes o total de 2024. As medidas incluíam comparecimento semanal a delegacias e autorização para deslocamentos.
Além disso, o relatório registra ameaças e assédios em 228 dos 309 casos, atribuídos a agentes do governo, apoiadores e grupos paramilitares. Também é destacada a revogação do status legal de entidades civis, com mais de 5.600 organizações afetadas, entre elas 18 com caráter religioso em 2025.
Casos e impactos
Entre as vítimas, está a suspensão do registro da Associação de Batistas Fundamentalistas Independentes, em fevereiro de 2025. Instituições religiosas, escolas e organizações beneficentes como Lutheran World Relief e Food for the Hungry também foram afetadas.
O documento cita ações contra ordens religiosas: no início do ano, cerca de 30 freiras foram obrigadas a deixar o país; em dezembro, oito religiosas foram expulsas para a fronteira com Honduras. Ao longo do ano, ocorreram 55 detenções arbitrárias de líderes religiosos.
Entre os casos maiores está o do pastor Rudy Palacios Vargas, preso em julho de 2025 junto a familiares e membros da igreja. Um diaano, Mauricio Alonso Petri, morreu sob custódia em agosto, sem acesso a informações ou autópsia pela família.
A CSW aponta restrições a práticas religiosas, incluindo a proibição de ordenações de padres e diáconos em algumas dioceses. Em Matagalpa, estimativas sugerem que cerca de 70% do clero foi forçado ao exílio.
Moderção de atividades religiosas e circulação de materiais
A organização registrou 33 casos de restrições à liberdade de reunião, como cancelamentos de cultos e vigílias. Em um episódio, policiais interromperam um culto e ordenaram a evacuação do templo.
As autoridades também passaram a incluir Bíblias e publicações religiosas em listas de itens proibidos na passagem pela fronteira, com apreensões em postos de fronteira ao longo de 2025.
O relatório menciona o caso do pastor Efrén Antonio Vílchez López, preso desde 2022 e condenado a 23 anos. Exercícios de defesa não pareceram ter sido considerados pelo tribunal, segundo a CSW. Em 2024, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos pediu medidas cautelares.
A CSW observa que o governo não respondeu a comunicados de organismos internacionais, como ONU e OEA, e aponta a saída de Nicarágua do Conselho de Direitos Humanos da ONU. O The Christian Post reforça essa informação na cobertura do tema.
O texto ressalta que, mesmo diante das tensões políticas, a Igreja continua atuante publicamente, tendo apresentado posicionamentos durante protestos de 2018. Analistas apontam que essa atuação contribuiu para o agravamento do conflito entre autoridades e comunidades religiosas.
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