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Nova lei de restituição na França recebe voto final

França aprova em votação final lei de restituição de objetos culturais tomados à força entre junho de 1815 e abril de 1972 com supervisão estrita

Nine years after President Emmanuel Macron pledged repatriation of African heritage, the new law finally opens the way for the return of items illegitimately taken by force.
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  • O parlamento francês aprovou, em 13 de abril, uma lei-quadro de restituição de itens culturais saqueados de antigas colônias, com vigência para objetos roubados entre junho de 1815 e abril de 1972.
  • A lei estabelece que pedidos de restituição devem partir de um estado, seguir verificação por um comitê científico bilaterial e resultar em decreto de restituição se ficar comprovado roubo, saque ou venda sob coerção.
  • Itens militares, arquivos públicos e partes de escavações arqueológicas ficam de fora; casos após 1972 vão a tribunal civil; há criação de uma comissão científica nacional que publicará relatório anual.
  • A votação foi unânime, mas houve reservas sobre a data de 1815; houve tentativa de suprimir esse marco, que foi rejeitada pelo plenário.
  • Países com pedidos pendentes incluem Argélia, Benim, Costa do Marfim, Madagascar e Mali, além de solicitações associadas a objetos de expedições históricas; Mali e Senegal também pedem o retorno do tesouro de Ségou.

A Assembleia da França aprovou, em 13 de abril, um marco legal para a decessoção de itens culturais saqueados de antigas colônias. A medida, nove anos após o compromisso do presidente Emmanuel Macron de repatriar patrimônios africanos, abre caminho para a devolução de objetos tomados pela força.

A lei estabelece que as restituições serão rigorosamente supervisionadas e se aplica apenas a itens saqueados entre junho de 1815, no contexto do Congresso de Viena, e abril de 1972, quando entrou em vigor a convenção da Unesco. O objetivo é criar um mecanismo claro para a diplomacia cultural.

Procedimentos e salvaguardas

Pelo texto, solicitações de restituição devem ser feitas por um Estado, que se compromete a proteger os itens e a exibi-los ao público. Uma comissão científica bilateral analisará os casos, abrindo espaço para decretos de devolução caso seja comprovado roubo, saque ou venda sob coação. Itens militares, acervos públicos e partes de escavações arqueológicas ficam de fora.

Limites e fases de avaliação

Casos envolvendo objetos apreendidos após 1972 devem tramitar em via civil. Mesmo com oposição inicial do governo, o Senado exigiu a criação de uma comissão científica nacional que publicará um relatório anual. A data-base de 1815 gerou reservas entre parlamentares sobre exclusões que alcançariam artefatos europeus ou de outras regiões, como códices maia e asteca reivindicados pelo México.

Estados e itens demandados

Até o momento, há pedidos de devolução de aliados históricos franceses, incluindo Argélia (efeitos pessoais do líder Abdelkader), Benin (uma estátua do vodun Gou), Costa do Marfim (cerca de 150 objetos), Madagascar e Mali. A solicitação maliana também envolve a famosa “coroa” de Ségou, com ouro e joias desenterrados pelas tropas francesas em 1890.

Contexto e próximos passos

Alguns membros do Parlamento destacaram a necessidade de ajustar a data de 1815, para contemplar transferências anteriores de sítios culturais. A ministra da Cultura mencionou que uma comissão científico franco-mexicana trabalha desde 2024, com propostas para digitalizar códices ilustrados. A lei representa um aperfeiçoamento do debate iniciado em 2023, antes adiado por instabilidade política.

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