- Péter Magyar, novo líder do país, sinalizou manter a política de portas abertas à China, sem radicalizar mudanças, e pretende alinhar-se mais aos padrões da União Europeia.
- Em coletiva após vencer com maioria expressiva, Magyar elogiou a China como uma das maiores potências mundiais e afirmou que visitará Pequim, recebendo líderes chineses em Budapeste.
- Ele disse que revisará investimentos chineses na Hungria — especialmente em veículos elétricos — sem objetivo de interrompê-los, buscando conformidade com normas da UE e locais.
- Hungria atraiu montadoras chinesas, como a BYD, que montou fábrica europeia de veículos no estado de Szeged, em 2024, além de investimentos de CATL, NIO e EVE Energy.
- O apoio mais contido a uma proposta da UE sobre controle de investimentos estrangeiros e o programa “Made in Europe” devem exigir maior escrutínio de projetos chineses; Magyar indicou alinhamento com esses padrões.
Péter Magyar assume a liderança do partido Tisza e não sinaliza uma reversão radical na relação comercial da Hungria com a China, mantendo a linha de parceria com Pequim ao lado de uma maior aderência às regras da União Europeia. O tema emerge com a vitória expressiva de Magyar, ocorrida no mesmo pleito em que Viktor Orbán foi reeleito.
O premiê interino indica que continuará atraindo investimentos chineses, incluindo na área de veículos elétricos, mas promete alinhar projetos com normas ambientais, de saúde e segurança no trabalho da UE e da Hungria. A atuação busca equilibrar relações com a China e a pressão de Bruxelas.
Perspectivas de investimento e espaço político
Magyar afirmou que pretende revisar os investimentos chineses na Hungria, especialmente no setor de veículos elétricos, sem a intenção de interrompê-los, apenas avaliando impactos. Parlamentares apontam que BYD inaugurou em Szeged a primeira fábrica europeia de veículos de passeio em 2024, com a presença de outras grandes empresas, como CATL, NIO e EVE Energy.
Essa política de portas abertas já conflita com a postura da UE, que intensifica a vigilância sobre investimentos chineses. A comissão europeia analisa medidas para exigir salvaguardas adicionais diante de influxo de importações de baixo custo e impactos no emprego no setor automotivo europeu.
Regulamentação da UE e riscos para investimentos
Entre os pontos em debate está a proposta da Comissão Europeia chamada Made in Europe, voltada a impor condições mais rígidas para investimentos estrangeiros de grande porte, acima de 100 milhões de euros, em áreas como baterias, carros elétricos, painéis solares e matérias-primas críticas.
Magyar afirmou que não aceitará que empresas estrangeiras recebam amplo apoio estatal, gerem poucos empregos locais e causem danos ao meio ambiente, adotando uma postura que possa aproximar políticas húngaras das exigências comunitárias.
O governo de Magyar também terá de lidar com controvérsias envolvendo alegações de trabalho forçado em plantas da BYD na Hungria, bem como uma investigação da Comissão Europeia sobre subsídios supostamente inadequados naquele site. Esses acontecimentos colocam em pauta a avaliação de investimentos chineses no país.
Contexto estratégico para a Hungria
Nos últimos anos, a Hungria tem lutado para manter um ambiente atrativo aos investimentos chineses, buscando consolidar-se como polo europeu para fabricantes chineses de EVs. A reception de grandes nomes chineses no país é vista como parte de uma estratégia de ganhos econômicos.
Magyar sinaliza uma leitura mais alinhada com Bruxelas, sem abandonar a cooperação com Pequim. A gestão de investimentos, aliança com normas europeias e a transparência de projetos permanecem como eixos centrais para o futuro econômico da Hungria.
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