- O governo dos EUA disse que a marinha iniciou o bloqueio aos portos iranianos para pressionar Teerã a reabrir o estreito de Hormuz ao tráfego marítimo global.
- O objetivo é fazer o Irã aceitar os termos dos EUA para encerrar o conflito que começou em 28 de fevereiro.
- Pelo menos dois cargueiros que se aproximavam do estreito abandonaram a rota; a UK Maritime Trade Operations informou presença militar ao longo da costa iraniana.
- O fechamento do estreito elevou o preço do petróleo, com o Brent subindo para perto de 98 dólares por barril na manhã desta terça-feira, após ter ficado acima de 100 dólares durante o conflito.
- Negociações entre EUA e Irã para uma nova rodada de conversas continuam, com mediadores indicados como Paquistão, Turquia e Egito; Teerã ameaçou retaliação a todos os portos da região.
O governo dos Estados Unidos anunciou o início de bloqueio naval aos portos do Irã, como parte de uma estratégia para pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Hormuz ao tráfego marítimo mundial. O objetivo é levar o Irã a aceitar condições norte-americanas para encerrar o conflito em curso desde 28 de fevereiro. O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump, na Casa Branca.
Segundo a Marinha dos EUA, a medida envolve o bloqueio de insumos e infraestrutura costeira iraniana, com foco na liberdade de passagem pelo estreito. Em reação, dois petroleiros que se aproximavam do Estreito teriam recuado, conforme informações divulgadas pelo MarineTraffic, pouco após o início da operação.
A Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido afirmou que o bloqueio restringe a costa iraniana, incluindo portos e infraestrutura energética. O aviso aos navegantes indicou que a passagem pelo estreito para embarcações não iranianas não foi impedida, mas pode haver presença militar nas áreas.
Contexto e objetivo
Trump ressaltou que o país não permitirá que o Irã extorquie o mercado global, e sinalizou abertura para novas negociações. Em entrevista, o presidente mencionou que houve contato da parte iraniana e que as negociações presenciais estão em curso. Informações de duas fontes americanas indicam que Washington e Teerã discutem uma segunda rodada de conversas.
Um diplomata envolvido com países mediadores indicou que Teerã e Washington concordaram em retomar conversas, com participação de Paquistão,Turquia ou Egito. A medida ocorre após o Irã ter fechado parcialmente o Estreito de Hormuz, o que elevou o preço global do petróleo.
Repercussões e cenário econômico
Antes do bloqueio, o Irã permitia a passagem de navios considerados simpáticos, cobrando taxas elevadas, o que gerou acusações de instrumentalização da via marítima. Analistas buscam entender como a ofensiva pode afetar o fluxo de 20% do petróleo mundial que passa pelo estreito, sobretudo em meio a uma crise de preços.
O preço do petróleo Brent tem se mantido alto, refletindo as incertezas sobre o controle do estreito. Enquanto o cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã buscava reduzir os custos de energia, a nova medida intensifica o risco de interrupções adicionais no abastecimento global.
Riscos e respostas
Analistas destacam dúvidas sobre a eficácia do bloqueio apenas com uso de força para reabrir o canal. Não está claro como o bloqueio funcionará a longo prazo e quais podem ser os riscos para forças americanas em caso de escalada militar.
No Irã, autoridades advertiram retaliar todas as portas do Golfo e do Golfo de Omã, fortalecendo o tom de ameaça. A situação cria um cenário de grande insegurança para a economia global, com possibilidades de nova volatilidade nos mercados de energia.
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