- O governo britânico rejeitou o uso de turbinas da chinesa Ming Yang Smart Energy em projetos de energia eólica offshore por questões de segurança nacional.
- A China criticou a decisão, dizendo que ela viola princípios de mercado aberto e pode prejudicar relações comerciais bilaterais.
- A Ming Yang planejava investir 1,5 bilhão de libras na construção de uma fábrica integrada na Escócia, para atuar como porta de entrada no mercado europeu.
- O governo do Reino Unido afirmou que manterá o foco na segurança nacional e numa cadeia de suprimentos resiliente, com aprovação regulatória pendente.
- A decisão ocorre em meio a tensões comerciais entre Europa e China, com estudos de caso recentes sobre outras fabricantes de turbinas eólicas e atrasos em projetos offshore.
A China reagiu nesta semana à decisão do governo britânico de vetar o uso de turbinas eólicas produzidas pela Ming Yang Smart Energy em projetos de offshore no Reino Unido. A medida foi anunciada pelo Ministério da Energia do Reino Unido no fim de março, em meio a preocupações de segurança nacional. O governo britânico manteve a posição apesar de planos da Ming Yang para ampliar sua presença no mercado europeu.
De acordo com um porta-voz do Ministério do Comércio da China, a exclusão de produtos chineses contraria princípios de abertura de mercado que a China sustenta há décadas. A China também ressaltou que a decisão pode impactar relações comerciais bilaterais. A Ming Yang confirmou ter sido informada da posição oficial após diálogos com autoridades britânicas.
A disputa surge em um momento de tensões geopolíticas envolvendo a indústria de energia renovável chinesa na Europa, mesmo diante de gargalos na cadeia de suprimentos que afetam metas de energia limpa. O Reino Unido tem se apoiado em fontes renováveis para ampliar sua participação de geração, com foco em energia eólica offshore.
Reação e planos da Ming Yang
Em outubro de 2025, a Ming Yang anunciou um investimento de 1,5 bilhão de libras para a construção, na Escócia, de uma fábrica de turbinas eólicas totalmente integrada, incluindo modelos offshore e flutuantes. O anúncio indicava a intenção de usar o Reino Unido como porta de entrada para o mercado europeu.
Após o veto, a Ming Yang disse que ainda não havia recebido resposta formal sobre o plano de investimento e que manteria o diálogo com as autoridades britânicas. A empresa ressaltou que o projeto depende de aprovações de reguladores, incluindo o governo do Reino Unido e o Ministério do Comércio da China, e pode sofrer alterações ou cancelamento por fatores geopolíticos e macroeconômicos.
O governo britânico reiterou que a segurança nacional continua sendo prioridade e que a cadeia de suprimentos de energia offshore deve ser resiliente e sustentável. O país informou que recebe investimentos estrangeiros apenas quando alinhados aos interesses nacionais.
A energia eólica é a principal fonte de eletricidade no Reino Unido, e o governo tem metas ambiciosas para 2030, com o objetivo de ampliar de 15 gigawatts para entre 43 e 50 gigawatts a capacidade de offshore. Nos últimos dois anos, atrasos em projetos foram atribuídos a falhas na cadeia de suprimentos e investimentos insuficientes em infraestrutura.
A decisão britânica ocorre em meio a investigações da Comissão Europeia sobre fabricantes chinesas de turbinas, como a Goldwind, sob o regime de subsídios estrangeiros. A Câmara de Comércio da China junto à UE qualificou a medida britânica como politicamente motivada, com impactos potenciais na confiança de investidores chineses na Europa.
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