- Brasil e Reino Unido avançam com uma parceria estratégica que prioriza a redução de barreiras comerciais e metas de ciência e tecnologia, enquanto o acordo de livre comércio com o Mercosul ainda não saiu do papel; investimentos britânicos no Brasil somaram US$ 35,8 bilhões em 2024, e os brasileiros no Reino Unido chegaram a US$ 6,9 bilhões.
- A parceria, estruturada entre 2026 e 2030, tem cinco pilares: Diálogo político e cooperação internacional; Comércio e investimento; Segurança e defesa; Transição justa e desenvolvimento sustentável; Conexões interpessoais.
- O cidadão deve sentir impactos em empregos e na transição verde até 2030, com foco em políticas de comércio, investimento, ciência, clima e relações entre pessoas.
- Há aproximação para exploração de minerais críticos de forma sustentável, com participação de governos e setor privado e apoio da comunidade científica britânica, visando a transição verde.
- O Reino Unido vê o acordo de livre comércio com o Mercosul como possível no futuro, mas mantém o foco na redução de barreiras; o país apoia a candidatura do Brasil a assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, dentro de uma agenda de reforma chamada UN80.
O ministro britânico para a América Latina, Chris Elmore, disse à CNN Brasil que a nova parceria estratégica entre Brasil e Reino Unido visa reduzir barreiras comerciais e avançar metas conjuntas de ciência e tecnologia. O diálogo ocorre paralelamente às negociações de um possível acordo de livre comércio entre o Reino Unido e o Mercosul, ainda sem perspectiva de conclusão.
Elmore participou de entrevista na embaixada britânica em Brasília, na segunda-feira dia 13. O governo britânico destaca que a relação evoluiu para uma parceria de longo prazo, com foco em cinco pilares que orientam a cooperação até 2030: diálogo político, comércio e investimento, segurança, transição justa e conexões entre pessoas. O objetivo é criar empregos e sustentabilidade, segundo o ministro.
Apesar de considerar o Mercosul uma possibilidade, o ministro reforçou que o trabalho atual não substitui negociações formais de livre comércio. O espaço para reduzir barreiras permanece aberto, com metas de compartilhar padrões e ciência, além de manter diálogo constante entre governos, empresas e entidades setoriais.
O que envolve a parceria estratégica
As conversas abrangem cooperação em ciência, clima, defesa e educação. O objetivo é que, até 2030, haja ganho de empregos estáveis, com transição verde e maior integração econômica entre Brasil e Reino Unido. Elmore ressaltou a importância de uma relação proativa, não apenas reativa, entre os dois países.
Barreiras comerciais e minerais críticos
Entre os temas, destacam-se esforços para facilitar certificação e reduzir encargos logísticos entre os dois mercados. Há interesse em fortalecer serviços financeiros, ciência e tecnologia e investimentos em setores aeroespaciais. A exploração de minerais críticos no Brasil figura como área de cooperação, com garantia de transição verde e cumprimento ambiental.
Perspectiva de um acordo com o Mercosul
Numa leitura de futuro, o ministro afirmou que seria desejável um acordo de livre comércio com o Mercosul, mas ressaltou que os resultados podem vir apenas após a redução de barreiras e a harmonização de padrões. A parceria continua como peça central para facilitar o comércio de bens, serviços, defesa e clima, sem excluir outras frentes de cooperação.
ONU e participação multilateral
O governo britânico reafirmou apoio à reforma do Conselho de Segurança da ONU, defendendo a ideia de um assento permanente para o Brasil entre outros itens da agenda UN80. A relação Brasil-Reino Unido é apresentada como estratégica no âmbito multilateral, buscando maior eficiência e representatividade.
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