- A relação entre Donald Trump e Giorgia Meloni azedou após Trump criticar o Papa Leo XIV, dizendo que Meloni não tem coragem para apoiar a intervenção dos EUA no Irã.
- Meloni chamou a crítica de “inaceitável”, defendendo que o Papa é líder da Igreja Católica e deve falar por paz.
- Itália recusou pedido dos EUA para aeronaves pousarem em Sigonella e suspendeu a renovação automática do acordo de defesa com Israel.
- Entre 2024 e 2025, os encontros foram marcados por aproximações públicas; Meloni chegou a participar da posse de Trump e houve visitas a Washington e ao Vaticano.
- Em 2026, a crise aumentou com divergências sobre o estreito de Hormuz e a postura da Otan, levando a uma ruptura pública entre os dois, ainda que mantivessem canais diplomáticos.
Trump e Meloni: da relação próxima à crise transatlântica
A relação entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e a premiê italiana Giorgia Meloni atravessou uma fase de proximidade diplomática que favorecia alinhamentos em várias frentes. Nos últimos meses, porém, tensões surgiram a partir de críticas de Trump ao Papa e a atitudes sobre o Irã.
Trump passou a criticar publicamente o pontífice, citando falhas no combate ao crime e sugerindo que o Papa deveria enfrentar pressões da esquerda. Meloni classificou a postura presidencial como inaceitável, reiterando o papel do líder religioso como voz pela paz.
O desentendimento ocorreu em meio a desdobramentos diplomáticos sobre o Irã. O Papa Leo XIV também criticou a intervenção estadunidense na região, alimentando um atrito que ganhou contornos políticos entre Roma e Washington.
No desenrolar da crise, surgiram sinais de esfriamento nas relações. Dono de uma agenda com foco europeu, Meloni reforçou a necessidade de independência diplomática frente a Washington em questões de segurança e alianças.
Além disso, em março de 2026, a Itália recusou um pedido de apoio aéreo da OTAN para sobrevoar o território rumo ao Oriente Médio, alinhando-se a Espanha e a França e gerando atrito com a Casa Branca.
Paralelamente, Meloni anunciou a suspensão da renovação automática de um acordo de defesa com Israel, medida vista como sinal de recalibragem estratégica dentro da aliança atlântica.
Desdobramentos desde dezembro de 2024
A primeira reunião de alto nível entre os dois ocorreu em Paris, durante a cerimônia de reabertura da Catedral de Notre Dame. Na ocasião, Trump classificou Meloni como uma líder enérgica.
Em janeiro de 2025, Meloni esteve em Mar-a-Lago para encontro breve com Trump, em meio a tensões no processo de governo e a situações internacionais complexas. A visita foi interpretada como gesto político relevante.
Pouco depois, Meloni compareceu à inauguração de Trump em Washington, evento notório pela presença de líderes europeus. Em Davos, Trump sinalizou a possibilidade de aprofundar a relação com Meloni.
Marco do governo e trajetória institucional
Em abril de 2025, um encontro oficial na Casa Branca foi visto por analistas como ponto alto da relação, com tom mais reservado do lado americano e disposição de ampliar canais com Bruxelas.
Durante o mesmo período, houve encontro informal no Vaticano na sequência de cerimônias fúnebres. A interlocução foi descrita como sinal de continuidade da linha direta entre os dois.
O G7, em junho de 2025, reuniu-se com Meloni e Trump em momentos de diálogo reservado, contribuindo para a redação de declarações sobre o período de confronto regional.
Período de retração e próximos passos
Em agosto de 2025, Meloni participou de reunião com Zelensky em Washington, evento que reforçou a coordenação europeia na política de segurança. Trump enalteceu Meloni como liderança inspiradora.
No entanto, o avanço de políticas divergentes em áreas-chave, como o Oriente Médio e a OTAN, gerou previsível recalibração da relação. A apresentação pública de divergências apontou para um efeito de longo prazo nos laços transatlânticos.
Em 2026, a imprensa manteve o debate sobre a robustez do relacionamento. Enquanto Meloni busca manter canais abertos, os acontecimentos recentes indicam uma visão estratégica mais independente de Roma em questões de segurança europeia.
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