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170 autores deixam o maior grupo editorial francês após ação de Bolloré

Cento e setenta autores abandonam a Grasset em protesto contra a demissão de Olivier Nora e a influência de Vincent Bolloré no grupo Hachette

Autores anunciam saída de editora após demissão de seu diretor
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  • 170 escritores anunciaram que não voltarão a publicar na Grasset, em protesto contra a saída de seu diretor, Olivier Nora, anunciada no início da semana.
  • A Grasset pertence ao grupo Hachette, controlado pelo bilionário Vincent Bolloré, de perfil suspeito de aproximação com a direita.
  • O movimento reúne nomes como Virginie Despentes, Frédéric Beigbeder, Sorj Chalandon e Bernard-Henri Lévy, e foi impulsionado pela demissão de Nora, ocorrido após 26 anos à frente da editora.
  • A Fayard, também do grupo Hachette, é citada pelos signatários como exemplo do que Bolloré pode fazer com editoras sob o controle dele.
  • A editora informou que Jean-Christophe Thiery assumirá a direção da Grasset, e os autores avaliam ações para recuperar direitos de seus livros; movimento similar é discutido por alguns da Fayard.

O grupo Grasset, tradicional casa editorial francesa, viveu uma ruptura relevante nesta semana. 170 escritores anunciaram que não publicarão mais na editora, em protesto pela demissão de Olivier Nora, que comandava a Grasset há 26 anos. A Grasset integra o grupo Hachette, controlado por Vincent Bolloré desde 2023.

A debandada tem como pano de fundo a gestão de Bolloré no setor de comunicação da França, que inclui veículos de imprensa sob o guarda-chuva do grupo. Após a saída de Nora, os autores sinalizam que houve uma demissão, não apenas uma troca de direção.

Entre os signatários estão nomes de peso como Virginie Despentes, Frédéric Beigbeder, Sorj Chalandon e Bernard-Henri Lévy. A carta aberta afirma que a independência editorial da Grasset foi atingida, segundo a leitura dos autores.

Envolvidos e motivações

Colombe Schneck, romancista e uma das signatárias, disse à AFP que a partida de Nora foi a faísca do movimento. Ela reforçou que os autores tinham conhecimento do histórico de Bolloré em outros veículos do grupo Hachette, como a Fayard.

A Fayard, que já teve papel histórico, hoje possui um catálogo com obras associadas a posicionamentos de direita e de extrema direita. O movimento sinaliza preocupação com a linha editorial e a independência da Grasset.

Próximos passos e repercussões

Fontes indicam que Jean-Christophe Thiery, diretor-geral do Louis Hachette Group, assumirá a direção da Grasset. A editora não se pronunciou de imediato sobre a carta.

Especialistas indicam que a saída de Nora representa uma reconfiguração das editoras sob Hachette Livre, maior grupo de publicação na França. O impacto pode estimular movimentos semelhantes em outras casas do grupo.

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