- Aragão, no norte da Espanha, tornou-se polo de data centers com investimentos de AWS e Microsoft que somam mais de € 80 bilhões.
- O mecanismo PIGA permite desapropriação forçada se negociações falharem; moradores recebem cartas com prazo de quatro dias e preços vão de € 2 a € 23 por metro quadrado.
- Idosos foram informados que não podem mais trabalhar as terras; famílias se dividiram e há ações legais, como a movida por Paz Orge Acebillo.
- A AWS pediu aumento na cota de uso de água; executivos chegaram a comparar o resfriamento dos servidores a “abrir uma janela no inverno” e houve ajustes no traçado de linhas de alta tensão.
- A Amazon investirá € 30 milhões em educação sobre sustentabilidade e robótica; a Microsoft foca na geração de empregos com apoio do governo regional; os três centros já existentes geram entre 700 e 950 empregos.
O norte da Espanha enfrenta uma mudança abrupta no uso da terra com o avanço de data centers. Aragão, região que abriga grandes investimentos de AWS e Microsoft, torna-se polo de processamento de dados, impulsionado por custos menores de energia e incentivos locais.
As empresas anunciam investimentos que somam mais de 80 bilhões de euros na região, conforme dados de fontes locais. Essa verba atrai empregos e movimenta a economia, mas gera tensões entre comunidade agrícola e grandes tecnológicas.
A decisão de apoiar projetos é embasada no Proyecto de Interés General de Aragón, mecanismo que facilita aprovação rápida de obras, reduz burocracia e oferece benefícios fiscais. A estratégia facilita concessões de terras e outros acordos com proprietários.
Desapropriação e pressões sobre moradores
Moradores que cultivam há décadas recebem notificações com prazos curtos para negociar a venda de suas terras. Os preços pagos variam conforme a resistência dos proprietários, com valores por metro quadrado entre baixos e médios. Famílias que antes cultivavam de forma simples passam a enfrentar dilemas financeiros e sociais.
Casos de envelhecimento da população rural aparecem na pendência de venda, com relatos de agricultores de longa data em dificuldade para manter a renda. A tensão entre vizinhanças aumenta conforme as negociações se tornam pauta de conversas comunitárias.
Há processos judiciais envolvendo o governo regional por alegada omissão de informações e documentos. Moradores denunciam pressão para aceitar acordos, enquanto outros permanecem resistente à desapropriação, temendo impactos na participação comunitária.
Repercussões e compensações
A AWS anuncia um aporte de 30 milhões de euros em educação, sustentabilidade e robótica para a comunidade local. A Microsoft, por sua vez, foca em geração de empregos apoiada pela administração regional, que projeta milhares de vagas no setor.
Os centros de dados já existentes geram entre 700 e 950 empregos até o momento, segundo informações locais. Empresas de instalação elétrica destacam aumento expressivo no faturamento nos últimos anos, atribuído aos projetos de infraestrutura.
A prefeitura de Villamayor diz que a expansão pode transformar a cidade, com benefícios econômicos potencialmente expressivos, mas também custos sociais para quem não participa diretamente do negócio. A dinâmica evidencia como o custo geográfico da IA se repete entre ganhos industriais e impactos locais.
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